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nailha
30/06/2018 às 12:30 h

Identidade e Resistência na 1ª noite do Garantido

Foto: João Carlos Siqueira.
Foto: João Carlos Siqueira.

Encerrando a primeira noite do 53º Festival Folclórico de Parintins, o Boi-Buymbá Garantido apresentou dentro do tema “Auto da Resistência Cultural” o subtema “Identidade e Resistência”, enfocando nos povos indígenas e quilombolas. Com a participação calorosa da galera com as toadas Nasci pra Ser Vermelho e Perrechés do Brasil, o boi vermelho evoluiu durante duas horas e vinte e oito minutos na arena do Bumbódromo.

Cabanagem - No século XIX, houve vários movimentos de resistência contra a opressão do Brasil Império que, à época, era governado por Regências Provisórias. Na Amazônia, a Província do Grão-Pará resistiu à independência do país só aceitando em 15 de agosto de 1823, quase um ano após a data oficial da Independência do Brasil. Na década seguinte, em 1835, surgiu na província do Grão-Pará o movimento da Cabanagem. De origem popular, o movimento se estendeu para toda a região amazônica a partir de Belém. O Boi Garantido, dentro do contexto, exalta a resistência das camadas populares e menosprezadas pela sociedade e demonstrando que, se unido, o povo consegue mudar sua própria história.

Resistência Tribal - Em sua Lenda Amazônica, o Garantido narrou a mítica história de Ajuricaba, líder da tribo Manaó, que teria preferido morrer jogando-se no encontro das águas dos rios Negro e Solimões do que ser levado para a capital do Grão-Pará para ser escravizado ou para uma possível execução. Representando a bravura dos povos indígenas, a Cunhã-Poranga Isabelle Nogueira surgiu na alegoria, e, na sequência, a celebração tribal de resistência contra a dominação portuguesa encerrou o primeiro ato de resistência étnica da noite.

Resistência da Arte - Em sua figura típica, o Garantido homenageou os artesãos de Parintins. Em um dos módulos da alegoria estava Jair Mendes, o artista que revolucionou o Festival Folclórico de Parintins nos anos de 1970. A Rainha do Folclore Brenda Brandão fez sua estreia no item 08 representando a arte parintinense.

“Devorado tu serás pra nascer de novo” - Um dos rituais de transcendência mais conhecidos nos meios acadêmicos e antropológicos foi encenado pelo Garantido no encerramento de sua apresentação. A reestreia de Oséas Bentes  no boi vermelho foi com a alegoria do ritual Deuses Canibais, do povo Araweté. Segundo a tese de doutorado de Eduardo Viveiros de Castro, na madrugada de 22 de dezembro de 1982, o pajé da tribo chamado Kanipayero teria sonhado com a própria morte. O pajé seria devorado pelo deus canibal Yukatihãque do fundo do Igarapé Ipixuna surgiria para que Kanipayero fosse devorado e nascesse de novo. André Nascimento, pajé do Garantido, representou Kanipayero e foi devorado na arena do Bumbódromo, renascendo no Igarapé Ipixuna.

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