FOLHA DE PARINTINS Jornalismo Livre, Presente e Atuante

nailha
30/06/2018 às 22:51 h

Diversidade dita o Garantido na 2ª noite do Festival

Boi vermelho recuperou-se da primeira noite cheia de problemas e fez um espetáculo único


Abrindo a segunda noite do Festival Folclórico de Parintins, o Boi-Bumbá Garantido exaltou a fé e o sincretismo  religioso como instrumento de resistência cultural. O apresentador Israel Paulson surgiu no meio da galera vermelha e branca interagindo com o item ao som da toada Miscigenação, de Enéas Dias, do ano de 2011.

As Cores da Fé
Na Celebração Folclórica, o boi da baixa do São José clamou contra a intolerância religiosa, mostrando que o Brasil, como país miscigenado que é, também mesclou os cultos religiosos. Cumprindo a promessa a São João Batista, o Garantido exaltou a figura de Xangô, o orixá justiceiro. "sincretismo é resistência, Xangô também é São João." A Sinhazinha da Fazenda Djidja Cardoso surgiu representando Yansã, orixá dos ventos e tempestades.

Caboclo Sacaca
O sincretismo religioso da Amazônia foi destacado na Figura Típica Regional do Garantido. A cura de doença através das ervas é um legado passado de geração à geração tanto entre os índios quanto com os caboclos e quilombolas. Representando as encantarias amazônicas, a Porta-Estandarte Edilene Tavares foi ovacionada pela galera vermelha e branca.

Tributo a Lindolfo Monteverde
O Garantido prestou homenagem a seu fundador, Lindolfo Monteverde. Ao som da toada Desejo de Catirina, o boi da baixa narrou o auto do boi de maneira musicada protagonizado por Márcia Siqueira e por João Paulo Faria, Pai Francisco do Garantido. O touro branco surgiu na alegoria diretamente do coração de Lindolfo, rodeado pela Vaqueirada do Eterno Campeão.

Matinta
Uma das lendas mais conhecidas em toda a região amazônica foi apresentada pelo boi vermelho na noite deste sábado. A história da anciã que se transforma em um ser maléfico que vem em busca de tabaco e que castiga todos aqueles que ousam cruzar seu caminho. A Matintapere é um ente que vem aterrorizar as comunidades ribeirinhas e geralmente incorpora em senhoras idosas, mas não é uma regra e, portanto, pode incorporar em moças jovens. No contexto da apresentação da alegoria do artista Roberto Reis, a cabocla condenada pela maldição da Matintapere foi a Rainha do Folclore do Boi Garantido, Brenda Brandão.

Marupiara
Encerrando sua apresentação, o Boi da Promessa encenou o rito Marupiara, iniciação guerreira dos Munduruku. O guerreiro desta etnia deve passar pelos sete caminhos da morte, demonstrando força, bravura, coragem e fé. Aquele que cumprir o desafio receberá a marca da lua nova em sua testa e o direito de deitar com sete moças virgens em sete noites. O Pajé André Nascimento conduz a celebração e marca a pele do guerreiro ao fim do rito.

Euforia Vermelha
O Boi Garantido encerrou a apresentação  de maneira eufórica e contagiante, ao contrário da primeira noite onde o boi apresentou diversos problemas e correndo para não atrasar. A disputa do Festival de 2018 está aberta novamente

Nas melhoras baladas