FOLHA DE PARINTINS Jornalismo Livre, Presente e Atuante

nailha
01/07/2018 às 02:15 h

Multiplicidade de saberes na 2ª noite do Caprichoso


O Boi Caprichoso encerrou na noite deste sábado a segunda noite de apresentação do Festival Folclórico de Parintins 2018. Com o subtema "Encontros", o touro negro mostrou como a sabedoria popular se formou através do encontro de múltiplas culturas, miscigenação que deu origem c multiculturalidade do povo parintinense.

Na abertura do espetáculo, o Boi Caprichoso deixou bem claro sua proposta ao trazer o apresentador  Edmundo Oran e o levantador de toadas David Assayag a bordo de uma caravela que também foi simbolizada pelos unida Marujada de Guerra. 
Na continuidade dos encontros entre caravelas e nativos, o Boi de Parintins apresentou a Lenda Amazônica "Sissa". Segundo a narrativa, Sissa era uma bela índia Aymará que era cobiçada por colonizador e por um nativo. Sissa eno Nativo foram então lançados à morte e no local nasceu uma bela flor. Representando Sissa, Marcela Marialva chegou à arena e recebeu dos céus, literalmente, o Pavilhão Azul e Branco.

Outro encontro apresentado pelo azul e branco foi o do nordeste com a Amazônia. Fugindo da seca, especialmente entre os 1875 e 1880, vários nordestinos encararam uma odisseia homérica para tentar encontrar a fartura que não existia mais em sua terra. Essa fartura tão sonhada, acreditavam, poderia ser encontrada nos seringais e estes homens embrenhavam-se nas matas atrás da seiva. A fartura sonhada veio, mas não para muitos. O suor dos nordestinos ergueram o Teatro Amazonas em 1896, e de dentro do teatro, surgiu a sinhazinha da fazenda Valentina Cid representando a pujança econômica que a borracha trouxe à Amazônia na época da Belle Epoque.
A mesma alegoria trouxe a Exaltação Folclórica Boi de Negro, que foi pano de fundo para a defesa do item 11, Toada, Letra e Música. Com a participação de grupos de Maracatu, a toada com mesmo nome da exaltação foi apresentada com cenário voltado à cultura negra. A Rainha do Folclore Brena Dianná surgiu montada em um búfalo, animal que simboliza Yansã e o item oito representou o próprio orixá.

O Momento tribal do Caprichoso foi dividido em vários momentos. Primeiramente, a tribo Parintintin evoluiu coreograficamente e na sequência houve o encontro com os Tupinambá para defenderem o chão da Ilha Tupinambarana. A tribo Sateré-mawé também foi homenageada como membro fundamental no encontro que deu origem a Parintins.

O Caprichoso encerrou sua apresentação afirmando que, embora importante para a transmissão de sabedoria, os encontros nem sempre serão benéficos. O Ritual de transcendência Yanomami relata que a cobiça pelas riquezas minerais existentes em áreas sagradas aos indígenas levará ao fim da vida como conhecemos e o céu cairia sobre nossas cabeças. 

Sensibilidade

Encerrando a apresentação, o Boi Caprichoso convidou o violonista Sebastião Tapajós para, acompanhado de trio de cordas, para tocar a toada Sensibilidade, escrita especialmente para o levantador de toadas David Assayag. Saindo no tempo e sem correr, o Caprichoso encerrou sua apresentação com duas horas e vinte e oito minutos aos gritos de bicampeão da galera azulada.

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