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28/07/2018 às 15:55 h

Muirapinima e Mundurukus duelam no Festribal 2018

Foto: Reprodução/Rádio Tribus.
Foto: Reprodução/Rádio Tribus.

Depois do Festival de Parintins realizado no Estado do Amazonas no final do mês de junho, Juruti, município ao extremo Oeste do Pará, chama a atenção com os preparativos para Festribal (Festival das Tribos Indígenas de Juruti), um grandioso espetáculo de cores e emoções.

No Tribódromo, grande arena construída especialmente para a disputa de cores e ritmos, no formato de uma canoa, as tribos Mundurukus e Muirapinima vão mostrar no sábado as crenças e lendas da Amazônia, em apresentações com cantos, danças e alegorias. A cidade vive um clima de euforia. As cores das tribos Mundurukus (vermelho e amarelo) e Muirapinima (vermelho e azul) tomam conta das ruas, das fachadas das casas e até das roupas e acessórios. Cerca de 20 mil pessoas são esperadas hoje sábado (28), ultimo dia do Festribal.

Os preparativos para o Festribal e os ensaios das tribos foram intensos. Todas as noites, a partir das 20 horas, a população local e os visitantes se dividiam entre acompanhar as coreografias e aprender os cantos da tribo Mundurukus, no Universo Mundurukus, e da tribo Muirapinima, na Aldeia Muirá.

As tribos têm torcidas organizadas é a `galera`, como são chamadas as torcidas, contam na pontuação da disputa. O torcedor de uma tribo deve respeitar a apresentação da tribo concorrente, ficando praticamente imóvel, como acontece em Parintins.

História - A disputa não é de hoje. O Festribal nasceu dentro do Festival Folclórico de Juruti, que apresentava cordões de pássaros, quadrilhas, bumba-meu-boi e carimbó.

Consta na história do surgimento do Festribal que, em 1993 foi criada uma dança com coreografia indígena denominada `Tribo Mundurukus`. Na época, como não havia essa categoria no festival folclórico, em 1994 foi criado outro grupo denominado `Tribo Muirapinima` para concorrer com os Mundurukus. Muirapinima é o nome de uma árvore cuja madeira de lei era utilizada para fabricação de móveis no período colonial. A primeira disputa entre as tribos Muirapinima e Mundurukus ocorreu em 1995.

A estrutura do Festribal cresce a cada ano. De acordo com informações de pessoas que acompanham a evolução do Festribal, antes se trabalhava com recursos mínimos e muito improviso. Hoje a dimensão é muito maior, em função do patrocínio de algumas instituições públicas e particulares, sendo que no atual contexto, a Prefeitura de Juruti ainda tem como patrocinadora do evento.

Além de apoio e patrocínio, ainda prevalece a vontade e a criatividade da população em realizar o Festribal. `O povo jurutiense transpira Festribal em julho. Para se ter uma ideia, as moças andam pelas ruas com braços para cima e para baixo, treinando as coreografias`.

Outra forma de as tribos arrecadarem dinheiro para confeccionarem as indumentárias e alegorias – vale destacar que a maioria dos integrantes das tribos faz trabalho voluntário – é a realização de festas e até durantes os ensaios. Todo ano as duas tribos lançaram CDs com os cantos tribais do espetáculo, que são vendidos para ajudar nas despesas.


Reprodução Rádio Tribu`s

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