FOLHA DE PARINTINS Jornalismo Livre, Presente e Atuante

nailha
08/08/2019 às 08:56 h

Assembleia termina em confusão e revolta

Contestado por maioria, parecer do Conselho Fiscal aprova contas sem apreciação dos sócios - Foto: Divulgação
Contestado por maioria, parecer do Conselho Fiscal aprova contas sem apreciação dos sócios - Foto: Divulgação

A Assembleia Geral Ordinária da Associação Cultural Boi-Bumbá Caprichoso terminou abruptamente, sem dar oportunidade de debate e análise das contas da gestão do presidente Babá Tupinambá, do período de 1° de setembro de 2018 a 31 de julho de 2019. É o que afirmam dezenas de sócios, em tom de revolta, na noite desta quarta-feira (07), na saída do Auditório Dom Arcângelo Cerqua.

Iniciada com a apresentação das contas em leitura do presidente e projeção de planilhas para apreciação simultânea dos sócios presentes, a assembleia foi interrompida logo nos seus primeiros minutos, quando o sócio Henrique Medeiros se recusou a assinar um documento que, segundo o próprio, simulava aprovação antecipada. Com palavras fortes, Medeiros alertou os demais sócios e foi ovacionado.

Ao final da apresentação das contas, o microfone foi aberto e o sócio João Vinicius Lago trouxe à assembleia propostas de formação de um conselho gestor para as finanças do bumbá com implementação do Portal da Transparência e inclusão da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) no estatuto da associação. Apesar da boa receptividade por parte dos sócios, as propostas não foram submetidas à apreciação e votação, sob o argumento de não fazer parte da pauta da assembleia.

A seguir, a sócia e ex-presidente Márcia Baranda utilizou da palavra para questionar a postura do atual presidente Babá Tupinambá que, segundo ela, não assume o ônus e o bônus do cargo e atribui a gestões anteriores a atual situação financeira da associação. Ao ser interrompida por Tupinambá, Baranda exigiu respeito e teve o apoio eufórico dos sócios.

A ex-presidente fez várias críticas e questionamentos ao atual mandatário, elogiou as propostas do sócio João Vinicius e fez um apelo. “Precisamos ter a responsabilidade e o comprometimento para o Festival e não deixar que a política partidária entre no boi como permitiram e, por isso, tudo está acontecendo com ele, pensem com carinho”, concluiu Baranda.

Sócio e artista de ponta com 39 anos de Festival, Juarez Lima iniciou sua fala revelando atos de desrespeito na atual gestão. “Se vocês imaginassem o que passei, nunca imaginei que minha história seria jogada como foi esse ano, senhor presidente”, disse. Juarez enfatizou que “prestações de contas temerárias e duvidosas” são resultados de ambições políticas que tomam o bumbá.

Os ânimos aflorados fizeram mais sócios questionarem a prestação de contas. Para muitos destes, as justificativas apresentadas pelo presidente Babá Tupinambá foram inconclusivas ou insuficientes. Os candidatos a presidente Jender Lobato e Karu Carvalho se abstiveram de falar no momento.

Conselho Fiscal dividido – Após intervenção dos sócios para questionamentos sobre a prestação de contas, um parecer favorável à aprovação, assinado pelo primeiro conselheiro Augusto Flávio Silva Cardoso, e pelos suplentes Carlos Alberto de Souza Nery e Rogério Souza de Jesus, foi lido pela secretária da associação, Juciele Cursino.

Ao final da leitura, o segundo conselheiro Carlos Julvan Silva de Medeiros interviu no processo em contestação ao parecer apresentado. Julvan alegou que não teve acesso e tempo hábil para análise do documento, e também revelou que Flávio não é presidente do Conselho Fiscal e que suplentes não podem votar. Sendo assim, o membro do Conselho Fiscal apresentou um parecer diferente, pela reprovação da prestação de contas, arrancando aplausos eufóricos dos sócios e iniciando uma discussão com o presidente Babá Tupinambá.

Estabelecida uma divergência de difícil solução, a atual diretoria decidiu pelo encerramento da assembleia com a aprovação do primeiro parecer apresentado, causando revolta nos sócios. O presidente Babá Tupinambá deixou o auditório por uma saída alternativa, sem submeter a prestação de contas à votação dos presentes. A posse da ata da assembleia também preocupa os sócios.

Mudança – A FOLHA DE PARINTINS ouviu o sócio Henrique Medeiros sobre a existência de dois pareceres do Conselho Fiscal, com diferentes recomendações. "Saullo Vianna deixou o cargo de presidente do Conselho Fiscal para assumir um cargo público. Não houve escolha de um novo presidente para substituir Saullo no Conselho e Flávio se apossou do cargo sem acordo com os demais membros”, disse.

O sócio reiterou indignação com a assembleia. “Tudo forjado, é o que acaba com o boi, a impunidade que vem de vinte anos para cá”, finalizou.

Candidatura – O artista plástico Karu Carvalho, um dos candidatos à presidente do Boi Caprichoso, cogitou retirar sua candidatura para se aliar a ex-presidentes como Márcia Baranda, Rai Viana, entre outros, com a justificativa de  formar um conselho para gerir o boi nos próximos anos.

"Hoje foi uma noite horrível para a história do Caprichoso. Pelo boi eu posso retirar minha candidatura e formar um conselho para enfrentar os desmandos do Babá. Ele já usou R$ 700 mil para saldar dívidas dele, do orçamento do próximo Festival. Isso é uma sacanagem, além de ser uma irresponsabilidade”, acusou Karu.

Posição – Mesmo com toda repercussão negativa da aprovação das contas, a atual diretoria do Boi Caprichoso não se manifestou até o momento.

Nas melhoras baladas