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pavulagem
07/09/2019 às 14:24 h

Vamos todos cirandar? Cada qual pegue seu par!

Foto: Reprodução/Facebook.
Foto: Reprodução/Facebook.

Há uma semana, acontecia o XXIII Festival de Cirandas de Manacapuru. Precedido de comuns entraves burocráticos – solucionados em tempo hábil – e elevada expectativa de agremiações e cirandeiros. Tudo absolutamente previsível em termos gerais e, de parte a parte, pela rivalidade entre Tradicional, Flor Matizada e Guerreiros Mura.

Com capacidade de público reduzida à quase metade, o Parque do Ingá recebia em sua arena a ciranda Tradicional sem imaginar que seus pouco mais de sete mil espectadores – e outros milhares de telespectadores via InovaTV – seriam surpreendidos. A propósito, surpresas não faltaram à etnia vermelho, dourado e branco na temporada 2019.

Campeã pela primeira vez em 2001, desde a conquista de 2009 não era campeã única do Festival e via nesta década o certame polarizado entre as cirandas rivais – anos nos quais dois de seus quatro títulos na história (2010 e 2016) foram por aclamação conjunta. Vice-campeã em 2018, a Tradicional se reinventou para derrubar o longo e incômodo tabu. Manteve Fabiano Neves apresentador e oportunizou ao item a concepção do tema “Alado”. O icônico cantador Bruno Souza se manteve intocado no item.

Anunciava-se a reinvenção pelos idos do Terra Preta, ainda, sem o alarde que despertaria os torcedores para um otimismo comum àqueles que acreditavam na chegada da ‘Majestosa’ ao topo. Repaginando personagens típicos e alçando novos nomes aos postos de itens femininos, as novidades repercutiam nas redes sociais – reais e virtuais – à medida que se revelavam, em diferentes intensidades de aceitação.

Constatando que, com apenas um casting de itens renovado não iria longe no festival, a Tradicional reforçou a estratégia com uma personalidade controversa de outros festivais. A direção de arena passaria às mãos de Chico Cardoso, teatrólogo com polêmicas passagens pelos bois-bumbás de Parintins. Nos últimos cinco anos, tem sido impossível dissociar o personagem do escândalo dos áudios em 2015, no Caprichoso, e do retorno ao Garantido em 2019, relutado pela rubra diretoria até os últimos instantes pré-festival e exaltado após a conquista do título.

Sem entrar em méritos passionais ou juízo de imparcialidade, após cada noite do Festival de Cirandas, as manifestações presenciais e à distância da arena cravavam o duelo entre Flor Matizada e Guerreiros Mura como decisivo para a vigésima terceira edição do certame folclórico – panorama inerte das edições em que se teve disputa – ainda que ambas tivessem passado por recentes e inesperadas mudanças de itens por ordem médica.

Abertos os envelopes e lidas as notas, o resultado surpreendeu. Algo jamais visto em festival algum? Subestimou-se ou superestimou-se parte a parte? Os fins justificam os meios? Acredita-se que a polêmica não reside no resultado artístico. A constatação parte, inclusive, das mais acaloradas manifestações de repúdio pós-apuração, derivadas de notas tidas como ‘injustificáveis’ – até pelas justificativas recém-divulgadas nas redes sociais, acompanhadas de divertidas ironias, sim. Reinações sobre a disparidade entre desempenho e resultado se concentraram sobre Fabiano Neves, amplificadas por relação social com jurado, anterior ao festival e à polêmica. 

Acreditando que qualquer semelhança não é mera coincidência, a ciranda dá meia-volta e cada qual pega o seu par. A perplexidade e o inconformismo não pouparam ninguém em posts repletos de sarcasmo. Apossados das notas e suas justificativas, os torcedores colocam a rivalidade em segundo plano e exercem forte pressão sobre dois jurados - Robson Junior e Simone Albuquerque –, aos quais creditam a desmoralização do trabalho voluntário e atemporal que as cirandas têm para chegar à arena, competitivas e capacitadas ao título, bem como a história do segundo maior festival folclórico do Amazonas.

Do despertar da fúria popular no final da apuração à revelação das justificativas, uma intensa semana se passou no universo cirandeiro. E a polêmica continua. Vamos dar a meia-volta, sem data para acabar. Ciranda, ô ciranda...



Grupo A
Jurado: Robson Junior
Ciranda: Flor Matizada




Grupo A
Jurado: Robson Junior
Ciranda: Guerreiros Mura




Grupo B
Jurada: Simone Albuquerque
Ciranda: Flor Matizada




Grupo B
Jurada: Simone Albuquerque
Ciranda: Guerreiros Mura




* A FOLHA DE PARINTINS não obteve acesso às justificativas dos jurados citados às notas da ciranda Tradicional.

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