FOLHA DE PARINTINS Jornalismo Livre, Presente e Atuante

pavulagem
01/02/2020 às 16:09 h

A expressão do respeito: um relato emudecedor

Foto: Arquivo Folha de Parintins/Folha Eventos.
Foto: Arquivo Folha de Parintins/Folha Eventos.

Há algum tempo escrevi ‘Parintins, que magia é essa?’ sem entender muito, porém, um mês atrás, tive a comprovação de que existe algo especial neste pedaço de chão.

Faziam dois anos e meio que não visitava meu porto seguro e sempre costumo andar a pé – ou ‘na pernada’, típico do ‘parintinês’ – para fazer um rito de lembranças. Eis que naquela noite do dia 29 de dezembro, mais ou menos às 19 horas, cidade alegre como de costume... bares e lanchonetes lotadas já prevendo o ano novo vindouro, fui ao encontro de uma amiga para uma conversa bacana. As horas passavam, quando nos demos conta que já chegávamos às 23 horas.

Resolvi deixá-la e fomos pela avenida Amazonas à parte de cima. Território vermelho, a mais afamada daquele lugar. Percebíamos um silêncio não costumeiro. Casas fechadas, um chuvisco tal como a chuva branca fina que cai. Perguntamo-nos o porquê do silêncio se, bem mais cedo, estava tudo agitado. Então a deixei e resolvi descer rumo a minha rua.

O silêncio sepulcral continuava. As poucas pessoas na rua com rosto atônito. Sem entender nada – com o celular em casa e, na mão, sem o costume de vê-lo na rua – resolvi estender a minha pernada pela avenida até o território azul. Francesa. Esconde. Um emudecimento ainda mais sepulcral.

Retornei e caminhei para a rua onde morei na minha infância – e moro quando na Ilha estou. Chegando em casa, à minha rede... e à rede social.  Deparo-me justamente no grupo da Folha de Parintins, com Arlindo Júnior. Um dos responsáveis pela difusão do Festival de Parintins acabara de falecer.

Comecei a entender o que estava acontecendo, o silêncio do povo de Parintins nos dois extremos culturais da cidade naquele momento. Percebi que Parintins tem algo mágico, que nobre demonstração de respeito por alguém que, verdadeiramente, contribuiu para o crescimento de uma festa que tanto aquece os sonhos artísticos e a economia de um povo.

Foi uma noite de emudecimento e de respeito. Um relato que me deixou mais observador. Depois de trinta dias, consigo entender e escrever esse relato.

Obrigado, Parintins, por ser teu filho. Quanto respeito!

Roberto Ângelo
Simples parintinense
betoangelo.10@hotmail.com