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foradailha
21/07/2020 às 19:02 h

Parintins tem 177 mestres e 67 doutores atuando em pesquisas

‘Mapeamento da Ciência no Amazonas’ identifica quantitativo de pesquisadores atuando em todo o Estado

Foto: Divulgação/Sedecti.
Foto: Divulgação/Sedecti.

Identificar onde estão e quantos são os mestres e doutores (docentes ou pesquisadores diretos) que atuam ativamente em pesquisas junto às Instituições de Ensino e Pesquisa (IES) na capital e no interior do Amazonas. Esse é o foco do “Mapeamento da Ciência no Amazonas”, trabalho desenvolvido pela Secretaria Executiva de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), ligada à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti). O estudo é divulgado no mês em que se comemora o Dia Nacional da Ciência e Dia Nacional das Pesquisadoras e Pesquisadores Científicos (8 de julho).

O estudo mapeou o quantitativo de mestres e doutores por município, apontando que 44 municípios, incluindo a capital, Manaus, têm pesquisadores baseados nas cidades e com atuação ativa, desenvolvendo pesquisas e estudos.

A secretária executiva de Ciência, Tecnologia e Inovação, Tatiana Schor, considera o estudo realizado de grande importância porque poderá auxiliar na construção de políticas públicas mais focadas nas especificidades de cada cidade, tornando de conhecimento público que a Ciência no Amazonas é comprometida e que não está concentrada apenas na capital, Manaus.

“Nossa intenção com esse trabalho é ressaltar e mostrar a importância do fortalecimento de Ciência, Tecnologia e Inovação no interior do estado. Queremos, com esse mapeamento, valorizar a pesquisa e o pesquisador no interior do Amazonas, mostrando ao mundo que temos pesquisa em diversas áreas e que a Ciência está dispersa por todo o território”, salienta Tatiana, que também coordena o Programa da Rede Urbana da Calha Solimões-Amazonas pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas das Cidades na Amazônia Brasileira (Nepecab).

A secretária executiva enfatiza o fato de os pesquisadores estarem morando nesses municípios e desenvolvendo suas pesquisas locais, o que reflete “uma ciência mais comprometida com o desenvolvimento socioeconômico da região”.

“São pesquisadores que moram lá. Eles não fizeram só uma pesquisa e depois foram embora. Eles residem nessas cidades e estão atuando politicamente, ajudando, inclusive, na organização da sociedade. Por isso, precisamos mostrar que temos profissionais comprometidos, que eles estão lá no interior desenvolvendo seus estudos e fazendo ações de apoio às comunidades e populações tradicionais, com compromisso social e colaborando para o desenvolvimento sustentável dos municípios”, ressalta ela, que também é representante da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC-AM).

Ensino e Pesquisa – O mapeamento produzido pela Secti contou com o suporte das instituições de ensino e pesquisa atuantes em todo o estado, que forneceram seus dados atualizados para a elaboração do trabalho. Entre elas estão: Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Secretaria de Estado de Educação e Desporto, Instituto Federal do Amazonas (Ifam), Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz Amazônia), Fundação Hospital Adriano Jorge (FHAJ) e Secretaria Municipal de Educação (Semed-Manaus).

O “Mapeamento da Ciência no Amazonas” foi elaborado pela geógrafa, Milena Maria Costa da Silva, do Departamento de Políticas Públicas da Secti. O trabalho deve permanecer em atualização por período anual. A ideia é aprofundar cada vez mais o levantamento, incluindo linhas de pesquisas e laboratórios, além de outras variáveis que possam identificar melhor a realidade vivenciada por esses profissionais no estado.

“Um fator importante desse mapeamento é que pudemos identificar que esses pesquisadores possuem suas bases de pesquisas consolidadas em seus respectivos municípios. Isso é muito bom do ponto de vista da Ciência porque eles podem compreender muito mais da realidade daquela cidade, o que nos ajuda a saber de que forma essas instituições (por meio desses pesquisadores) podem colaborar com os nossos projetos em nível de Governo de Estado”, destaca Milena Silva.

Permanência no interior – Desde que se mudou da capital para o município de Itacoatiara (distante a 176 quilômetros de Manaus) há 17 anos, o professor doutor em Engenharia da Produção do Instituto de Ciências Exatas e Tecnologia da Ufam, Hidelbrando Ferreira Rodrigues, afirma que percebeu a transformação pela qual a cidade passou desde que a chegada das instituições de ensino e pesquisa (Ufam, UEA e Ifam) naquela cidade.

“A educação é um mecanismo de transformação social, e isso foi muito visível em Itacoatiara há alguns anos, com a chegada das instituições de ensino superior. Isso trouxe para o município um ‘ar’ de uma cidade universitária”, relata o pesquisador.

Hidelbrando também chamou a atenção para a questão socioeconômica da população que mora nos municípios do entorno de Itacoatiara, na região do Médio Amazonas (Itapiranga, Silves, Urucurituba, Boa Vista do Ramos, Maués, Nova Olinda do Norte e Rio Preto da Eva). Para ele, essas pessoas não teriam condições de morar na capital para cursar o ensino superior.

“As pessoas que moram nesses municípios do entorno preferem morar e estudar em um polo mais próximo a morar na capital, porque isso requer um custo de vida maior. Elas preferem morar nas cidades mais próximas e com uma característica parecida com a realidade delas”, avalia ele, que hoje orienta quatro pesquisas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic), que conta com recursos via Pró-Reitoria de Pesquisa (Propesp) da Ufam e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

Ranking – De acordo com a Secti, as informações contidas no “Mapeamento da Ciência no Amazonas” estão suscetíveis a atualizações, podendo variar conforme o calendário de formação de novos mestres e doutores e/ou com a disponibilidade de novos concursos públicos a serem realizados pelas instituições citadas no trabalho.

O levantamento identificou o total de 2.980 mestres e de 1.916 doutores atuantes em todo o estado, definindo o ranking por quantidade de pesquisadores atuantes em cada cidade.

1º – Manaus: 2.079 mestres e 1.618 doutores
2º – Parintins:  177 mestres e 67 doutores
3º – Itacoatiara: 110 mestres e 73 doutores
4º – Humaitá: 84 mestres e 48 doutores
5º –Tabatinga: 79 mestres e 20 doutores
6º – Coari: 71 mestres e 46 doutores
7º – Tefé: 71 mestres e 29 doutores
8º – Benjamin Constant: 38 mestres e 24 doutores
9º – São Gabriel da Cachoeira: 36 mestres e seis doutores
10º – Manacapuru: 38 mestres e um doutor
11º – Maués: 36 mestres e cinco doutores
12º – Presidente Figueiredo: 32 mestres e nove doutores
13º – Lábrea: 28 mestres, sete doutores
14º – Eirunepé: 23 mestres e dois doutores
15º – Nhamundá: 15 mestres, não há doutores
16º – Iranduba: nove mestres e um doutor
17º – São Paulo de Olivença: cinco mestres, não há doutores
18º – Anori: três mestres, não há doutores
19º – Autazes: três mestres, não há doutores
20º – Barcelos: três mestres, não há doutores

21º – Boca do Acre: três mestres, não há doutores
22º – Carauari: três mestres, não há doutores
23º – Novo Airão: três mestres, não há doutores
24º – Santo António do Içá: três mestres, não há doutores
25º – São Sebastião do Uatumã: três mestres, não há doutores
26º – Nova Olinda do Norte: dois mestres e dois doutores
27º – Atalaia do Norte: dois mestres, não há doutores
28º – Careiro da Várzea: dois mestres, não há doutores
29º – Codajás: dois mestres, não há doutores
30º – Envira: dois mestres, não há doutores
31º – Itamarati: dois mestres, não há doutores
32º – Manicoré: dois mestres, não há doutores
33º – Tonantins: um mestre e dois doutores
34º – Barreirinha: um mestre, não há doutores
35º – Boa Vista do Ramos: não há mestres, um doutor
36º – Careiro: um mestre, não há doutores
37º – Fonte Boa: um mestre, não há doutores
38º – Maraã: um mestre, não há doutores
39º – Santa Isabel do Rio Negro: um mestre, não há doutores
40º – Alvarães: um mestre, não há doutores

41º – Beruri: um mestre, não há doutores
42º – Jutaí: um mestre, não há doutores
43º – Tapauá: um mestre, não há doutores
44º – Urucurituba: um mestre e um doutor.

Fonte: UEA, Ufam, Secretaria de Estado de Educação e Desporto, Ifam, Inpa, Embrapa, Fiocruz Amazônia, FHAJ e Semed-Manaus.