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nailha
01/07/2018 às 23:23 h

Consciência e resistência na 3ª noite do Garantido


Abrindo a última noite de apresentação do 53° Festival Folclórico de Parintins, o Garantido trouxe à arena do bumbódromo o espetáculo "Consciência e Resistência" como um grito em defesa dos movimentos culturais e de defesa dos povos marginalizados pela sociedade, principalmente os povos ribeirinhos e indígenas da Amazônia.


“Eu Vou te buscar”

A lenda amazônica do Boi Garantido fez referência a uma história conhecida nos interiores da Velha Tupinambarana. Segundo os relatos, um ser gigantesco desce da Serra de Parintins para caçar as almas daqueles que ousam atravessar seu caminho. Juma então surge como um símbolo de resistência contra aqueles que destroem as florestas e ameaçam a vida daqueles que dela dependem. A Cunhã Poranga Isabelle Nogueira surgiu na alegoria simbolizando a resistência dos povos amazônidas.


Consciência e Resistência Cultural e Popular

O momento Folclórico do Boi Garantido homenageou várias referências culturais do Brasil. Entre os citados, Ariano Luis da Câmara Cascudo e movimentos como a Semana de Arte Moderna de 1922 e Tropicália. A Porta-Estandarte Edilene Tavares e o próprio Boi-Bumbá Garantido surgiram no ápice da encenação e levantaram a nação vermelha.

Durante a chamada Belle Epoque, a seiva era o ouro branco que escorria das seringueiras e a borracha fazia fortuna a poucos com o sofrimento de muitos. Agravada pela crise climática de 1877, vários nordestinos - especialmente cearenses - vieram para à Amazônia para recomeçar suas vidas nos seringais. Um descendente desses migrantes criou o Boi Garantido em homenagem a São João e a Figura Típica do vermelho e branco prestou homenagem a esse povo que ajudou a Amazônia a ser referência econômica no país, pois em Belém foi criada a primeira bolsa de valores do país e Manaus a primeira cidade a ter energia elétrica e a receber a primeira universidade do Brasil, além dos símbolos da época: os teatros Amazonas e Da Paz. No contexto da riqueza trazida aos seringalistas, a sinhazinha Djidja Cardoso representou a prosperidade que a época trouxe à região amazônica. Com problemas no módulo tribal onde surgiria, a Rainha do Folclore Brenda Brandão também foi trazida na alegoria.


A Festa dos Mortos

O último grito de resistência do Boi vermelho e branco foi representado pelo ritual “Kuarup, a Festa dos Mortos”. O pajé André Nascimento, representando o deus Mavutsunim, conduziu a celebração onde os troncos de madeira enfeitados simbolizam os mortos que, simbolicamente, “ressuscitam” e tornam-se eternos na mente dos povos xinguanos. O legado dos sertanistas e irmãos Leonardo, Cláudio e Orlando Villas-Boas, pioneiros no desbravamento da região Xinguana.


Nasci pra ser vermelho

A galera vermelha e branca foi o grande destaque nas três noites do Festival. O item dezenove do Garantido usou e abusou de coreografias e cantou fortemente as toadas do Boi do Povão, em especial as toadas Perrechés do Brasil e Nasci pra Ser Vermelho. Saindo sereno e sem maiores atropelos, o Garantido mostra-se vivo à disputa do título de campeão do Festival, o 32º de sua história.

Nas melhoras baladas