Famílias atípicas e professores cobram mais apoio escolar em Manaus; Jender Lobato propõe qualificação obrigatória da rede estadual
Em reunião com profissionais da Educação na Zona Leste, a falta de mediador nas escolas apareceu como principal entrave à inclusão de crianças atípicas
Mais de 110 professores e profissionais da Educação reuniram-se no bairro Coroado, Zona Leste de Manaus, para discutir os principais gargalos da rede pública. Entre os problemas apontados, a falta de apoio escolar para crianças atípicas surge como uma das demandas de maior impacto na rotina dos professores e na qualidade do atendimento educacional. O encontro, conduzido por gestores de escolas da região, teve a presença do candidato a deputado estadual Jender Lobato.

Jaqueline Velasco, gestora do Centro Municipal de Educação Infantil Abelinha, no Coroado, e ela própria mãe atípica, resumiu o problema enfrentado por famílias em toda a rede: “para melhorar a qualidade do ensino e as condições do nosso trabalho é necessária uma atenção, principalmente, para as crianças atípicas, precisamos do apoio escolar. Com esse profissional nas escolas (o mediador), com certeza o trabalho dos professores se torna mais fácil, porque eles vão poder dar condições para as crianças atípicas serem, de fato, incluídas na educação.”

O tamanho do problema
A fala de Jaqueline não é um caso isolado. Os números disponíveis sobre educação inclusiva no Amazonas mostram um descompasso entre a quantidade de crianças atípicas e PCDs na rede e a estrutura de apoio oferecida a elas.
Mesmo após a Prefeitura de Manaus reforçar o quadro da Semed com 400 novos profissionais de apoio escolar contratados neste ano, a percepção relatada por educadoras como Jaqueline é de que a demanda segue maior do que a oferta, inclusive fora da capital.
Até o momento, não há um levantamento oficial específico sobre evasão escolar de crianças atípicas e PCDs no Amazonas, uma lacuna que vem sendo levantada até mesmo por vereadores de Manaus, que propuseram recentemente um censo municipal justamente para dimensionar essa realidade.

De um lado, professores sobrecarregados; do outro, crianças e adolescentes atípicos e PCDs sem auxílio ou suporte para continuar estudando. “É urgente olhar pelas crianças e famílias atípicas, é evidente que o Estado tem falhado com esse grupo em diferentes níveis”, apontou Jender. O candidato tem se reunido e conversado com grupos de mães e cuidadores de crianças atípicas e PCDs para compreender as demandas reais das famílias e transformar essas necessidades em propostas para a educação inclusiva.
“Os serviços de saúde não chegam a atender as demandas reais de terapias, suporte e cuidados. A Educação não é inclusiva e, quando esses alunos conseguem ser incluídos, a falta de estrutura faz com que profissionais e alunos sofram.”
O relato de uma mãe
Jessica Neves, fisioterapeuta e mãe de Glenda, criança atípica, relatou uma situação que viveu quando conseguiu matricular a filha na Escola Estadual Manoel Marçal de Araújo, apontada como referência no atendimento a alunos com necessidades especiais.
Glenda tem paralisia cerebral e precisa de suporte constante. A mãe, Jessica, narrou a experiência que rapidamente se transformou em trauma para a família:
“Não havia mediador em nenhuma das salas, apenas um professor. Ainda que fossem 5 alunos por sala, na turma da Glenda ela era a única cadeirante, acompanhada por outras crianças autistas. Até que um dia, ela chegou a apanhar de uma outra criança”, contou. Depois do ocorrido, a mãe foi à direção da escola buscar por respostas.
“A gente chegou a ir na escola. A professora explicou que não tinha mediador e deu como solução, para que a vaga não fosse perdida, que nós mães acompanhássemos o dia do aluno em sala, servindo como mediadoras. A outra opção era tirar da escola”.
Jessica é mãe solo. Divide o cuidado de Glenda com a mãe, Dioclecia. Enquanto ela trabalha, a mãe fica responsável pelos cuidados da neta. Dioclecia parou de trabalhar para poder ficar em casa.
Um concurso da Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar do Amazonas (Seduc-AM) foi anunciado oficialmente em junho de 2026 pelo governador Roberto Cidade. O Governo informa apenas que a meta é aplicar as provas, homologar o resultado e iniciar as convocações ainda em 2026, sem data confirmada. Das 7.862 vagas anunciadas, 1.007 são destinadas a “Profissionais de Apoio Específico à Educação”, categoria que inclui mediadores e cuidadores escolares. No entanto, não há informação oficial sobre quantas dessas vagas serão, de fato, para mediadores e cuidadores, nem sobre a divisão entre Manaus e o interior dentro desse grupo.
O edital não estabelece exigência de certificação ou qualificação específica que garanta a esses profissionais preparo técnico para atuar diretamente no cuidado desses estudantes.
A proposta de Jender Lobato
Para Jender Lobato, advogado e ex-presidente da ManausCult, a solução passa por tornar a qualificação da rede estadual uma exigência, e não uma exceção: “eu quero ser o deputado da educação, o deputado da cultura, o deputado das oportunidades”, afirmou durante o encontro.
O candidato defende a criação do selo “Professor Amigo do Autista”, um dispositivo legal que tornaria obrigatória a qualificação e a reciclagem continuada dos profissionais da Educação da rede estadual do Amazonas para o atendimento a alunos atípicos, além de um núcleo exclusivo para o tema dentro da Seduc. A proposta integra o eixo mais amplo de campanha “Apoio às Famílias Atípicas”, construído a partir da escuta de mães atípicas e que reúne propostas como atendimento humanizado nos serviços públicos, a Carteira do Cuidador Atípico e uma rede especializada de atendimento itinerante para famílias do interior.
“Embora as oportunidades sejam dadas para todos, o gestor faz a diferença. Só trabalha na educação quem tem paixão”, completou Jender, reforçando que pretende usar sua atuação como advogado, na Assembleia Legislativa, para dar voz a demandas como a de Jaqueline e de tantas outras famílias atípicas do Amazonas.
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ASSESSORIA DE JENDER LOBATO

