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Parintins registra índice quase 16 vezes superior à referência diária da OMS

Material produzido pela Agência Breves de Comunicação. Reprodução permitida mediante citação da fonte.

Aplicativo Selva aponta 243,9 µg/m³ de partículas finas na noite desta terça-feira (13); situação acende alerta para a saúde e levanta questionamentos sobre aulas e atividades esportivas

A qualidade do ar em Parintins acendeu um alerta na noite desta terça-feira (13). Uma leitura do aplicativo Selva mostrou concentração de partículas finas PM2,5 de 243,9 microgramas por metro cúbico (µg/m³) no município. O índice aparece na faixa “Péssimo” da escala apresentada pela plataforma e reforça a preocupação com a fumaça provocada pelas queimadas no Amazonas.

O valor registrado equivale a aproximadamente 16 vezes a diretriz diária de 15 µg/m³ recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para partículas finas. A comparação considera uma leitura pontual diante de uma referência calculada para a média de 24 horas. Portanto, não significa que a média diária de Parintins tenha alcançado esse mesmo patamar.

Mesmo com essa ressalva técnica, o número chama a atenção e levanta uma questão urgente: quais medidas estão sendo adotadas para proteger a população dos efeitos da fumaça?

POLUIÇÃO DO AR REPRESENTA RISCO À SAÚDE

As partículas PM2,5 são pequenas o suficiente para penetrar profundamente nos pulmões e estão associadas a problemas respiratórios e cardiovasculares. A exposição à poluição atmosférica pode agravar doenças preexistentes e representa preocupação especial para crianças, idosos, gestantes e pessoas com problemas respiratórios ou cardíacos.

Nas diretrizes globais de qualidade do ar publicadas em 2021, a OMS recomenda que a concentração média de PM2,5 não ultrapasse 15 µg/m³ em 24 horas e 5 µg/m³ na média anual. Diante da leitura registrada pelo Selva, a situação exige acompanhamento técnico, orientações à população e avaliação das medidas necessárias para reduzir a exposição à fumaça.

Entre as providências que precisam ser avaliadas estão a redução de atividades físicas ao ar livre, a orientação às escolas e a adoção de medidas preventivas para proteger os grupos mais vulneráveis. A prática de exercícios intensos em ambientes com elevada concentração de poluentes pode aumentar a quantidade de partículas inaladas.

QUAIS MEDIDAS ESTÃO SENDO AVALIADAS EM PARINTINS?

Diante do cenário, cresce a preocupação com a falta de informações públicas sobre as providências que poderão ser adotadas no município. A rede municipal de ensino deve manter as aulas presenciais? Há orientações específicas para as escolas? Os organizadores de campeonatos esportivos receberam recomendações diante da qualidade do ar?

A preocupação não se limita ao ambiente escolar. Treinamentos, competições e outras atividades ao ar livre também precisam ser considerados na avaliação dos riscos à saúde. As secretarias municipais de Educação, Saúde, Meio Ambiente e Esporte precisam esclarecer se existe um protocolo para situações de poluição elevada, quais indicadores são utilizados para orientar as decisões e quais providências estão sendo adotadas para proteger estudantes, professores, atletas e demais moradores.

A cobrança não significa que uma única leitura determine automaticamente o fechamento das escolas. O que se espera é uma avaliação técnica, transparência sobre os dados disponíveis e comunicação clara com a população.

ATÉ MAUÉS SUSPENDEU AS AULAS PRESENCIAIS

Enquanto Parintins aguarda esclarecimentos sobre as medidas que serão adotadas, a Prefeitura de Maués divulgou uma nota oficial, na noite desta terça (13/10), anunciando providências preventivas diante da intensa fumaça provocada pelos incêndios florestais que atingem o município.

De acordo com o comunicado, a Secretaria Municipal de Educação suspendeu as aulas presenciais da rede municipal de ensino entre os dias 13 e 16 de outubro, com realização de atividades remotas durante o período.

A administração de Maués também anunciou a suspensão das atividades esportivas promovidas pelo município, incluindo escolinhas de iniciação esportiva e jogos competitivos da categoria adulta, enquanto as condições da qualidade do ar não forem consideradas adequadas à prática esportiva segura.

A nota prevê ainda a suspensão temporária de atividades dos grupos de convivência da assistência social e orienta a população a evitar exercícios ao ar livre durante períodos de fumaça intensa, reduzir a exposição e procurar atendimento de saúde diante de sintomas respiratórios.

A decisão de Maués evidencia que a fumaça já está provocando mudanças na rotina de serviços municipais e reforça a importância de avaliar medidas preventivas também em Parintins.

O QUE DIZ A ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE?

A leitura de 243,9 µg/m³ apresentada pelo Selva é muito superior à diretriz diária de 15 µg/m³ recomendada pela OMS. Entretanto, o aplicativo utiliza sensores de monitoramento indicativo, e a leitura pontual não substitui uma medição oficial certificada nem representa, por si só, a média das últimas 24 horas.

As diretrizes da OMS servem como referência para avaliar os riscos da poluição atmosférica e reforçam a importância de reduzir a exposição às partículas finas. Quanto maior a concentração e mais prolongada a exposição, maior pode ser o risco à saúde.

Diante disso, a população precisa saber se o município está acompanhando os índices, se existe um plano de contingência e quais critérios serão utilizados para decidir sobre a manutenção das aulas e das atividades esportivas.

PREFEITURA TENTA CONTER OS INCÊNDIOS

Na Ilha de Caprichoso e Garantido, as ações de combate aos incêndios florestais foram reforçadas, principalmente na região da Vila Amazônia, onde equipes atuam em áreas como o Quebra e o Quebrinha. A Prefeitura mobilizou dez brigadistas municipais para trabalhar junto ao Corpo de Bombeiros e recebeu outros dez brigadistas do Prevfogo/Ibama, enviados de Manaus para reforçar a operação. Além disso, 20 servidores da Secretaria Municipal de Limpeza receberam treinamento em noções básicas de prevenção e combate às queimadas.

Apesar do reforço nas operações em campo, a preocupação também precisa se estender aos efeitos da fumaça sobre a saúde da população. Nas últimas semanas, Parintins vem registrando leituras de qualidade do ar que variam de ruim a péssima, conforme o monitoramento do aplicativo Selva. Por isso, além de combater os focos de incêndio, é importante que as autoridades acompanhem diariamente os indicadores ambientais e divulguem orientações atualizadas sobre os riscos e as medidas preventivas necessárias.

A população precisa ser informada sobre a evolução da situação, especialmente diante dos riscos para crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias. A emissão de novos comunicados oficiais, com orientações sobre aulas, atividades esportivas e exposição à fumaça, pode ajudar a reduzir os riscos enquanto persistirem as condições desfavoráveis.

É importante reconhecer as ações desenvolvidas pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Parintins, com campanhas de educação ambiental e medidas de combate à ocupação irregular de áreas verdes no município. Em alguns desses locais, a vegetação acaba sendo atingida pelo fogo, agravando os impactos ambientais e contribuindo para a fumaça que afeta a população. São iniciativas importantes, mas que precisam ser ampliadas e acompanhadas de uma atuação integrada entre os órgãos públicos, com fiscalização, prevenção, monitoramento diário da qualidade do ar e orientação permanente aos moradores. O momento exige atenção redobrada: diante dos índices preocupantes registrados nas últimas semanas, proteger o meio ambiente também significa proteger diretamente a saúde da população.

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