NASA alerta para temporada severa de incêndios na Amazônia; Parintins e Baixo Amazonas enfrentam sinais de alerta ambiental
Satélites detectam aumento de fogo e fumaça na região amazônica. Em Parintins, medições apontaram qualidade do ar péssima, enquanto municípios vizinhos registraram concentrações elevadas de partículas poluentes. Cientistas alertam para o risco de incêndios prolongados.
Por Agência Breves de Comunicação
(Parintins/AM) – A Amazônia está diante de um novo alerta ambiental. A seca associada ao fenômeno El Niño está deixando a floresta mais vulnerável às queimadas, e cientistas da Agência Espacial Norte-Americana (NASA) alertam para a possibilidade de uma temporada prolongada e severa de incêndios. Os efeitos desse cenário preocupam o Amazonas e exigem atenção especial em Parintins e nos municípios do Baixo Amazonas, onde os registros de focos de calor e os indicadores de qualidade do ar reforçam a necessidade de monitoramento permanente.
Em publicação divulgada no último dia 15 de outubro de 2026 (https://science.nasa.gov/earth/earth-observatory/fires-arrive-in-the-amazon-rainforest/), a NASA informou que satélites começaram a detectar aumentos expressivos de fogo e fumaça na Amazônia Central e Oriental. O alerta inclui áreas próximas a Manaus e Santarém, no Pará, e aponta para a combinação entre estiagem, vegetação seca e maior vulnerabilidade à propagação das chamas.
Embora o diagnóstico da agência espacial tenha abrangência regional, os dados locais ajudam a dimensionar o problema. Em Parintins, duas estações de monitoramento registraram concentrações elevadas de partículas finas em 16 de outubro, com valores classificados como péssimos pelo sistema SELVA, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

PARINTINS REGISTRA QUALIDADE DO AR PÉSSIMA
Dados compilados pelo Ministério Público de Contas do Amazonas apontaram duas medições preocupantes em Parintins na manhã de 16 de outubro. Às 8h33, uma estação registrou concentração de 126,7 microgramas por metro cúbico de partículas finas PM2,5. Um minuto depois, outra estação apresentou 130,9 microgramas por metro cúbico.
As duas leituras foram classificadas na faixa péssima pelo sistema de monitoramento SELVA. Os números são medições pontuais e não representam uma média de todo o município, mas demonstram que havia concentrações elevadas de poluentes atmosféricos nos locais monitorados.
O material particulado PM2,5 é formado por partículas muito pequenas, capazes de penetrar profundamente no sistema respiratório. A exposição pode agravar doenças respiratórias e cardiovasculares, especialmente entre crianças, idosos e pessoas com condições de saúde preexistentes.
A fumaça pode ser transportada pelos ventos por distâncias consideráveis. Por isso, a ausência de grandes incêndios dentro da área urbana não significa que a população esteja livre dos efeitos das queimadas.
Os dados disponíveis, entretanto, não permitem afirmar que toda a poluição registrada em Parintins tenha origem em um foco específico ou que a fumaça tenha vindo diretamente de Manaus ou Santarém. Essa conclusão exige cruzamento de informações meteorológicas, imagens de satélite e registros de incêndios.

ENTRE A FESTA E O ALERTA AMBIENTAL, PREFEITURA É COBRADA POR MEDIDAS
Após uma semana marcada por registros de qualidade do ar insalubre em Parintins, a Prefeitura manteve shows, programações festivas e aulas da rede municipal de ensino durante as comemorações pelos 174 anos do município. A programação de aniversário contou com investimentos expressivos, incluindo mais de R$ 1 milhão destinados à contratação do cantor Natanzinho Lima.
Somente na tarde deste sábado (17), após a realização de parte das comemorações, a administração municipal anunciou o cancelamento das provas de corrida e ciclismo previstas para o fim de semana, alegando riscos à saúde provocados pela fumaça das queimadas. A decisão levanta questionamentos sobre a demora em adotar medidas preventivas diante dos alertas ambientais, especialmente em relação às crianças que permaneceram em sala de aula durante os períodos de pior qualidade do ar.
A Prefeitura informou que o cancelamento foi decidido em conjunto pelas secretarias municipais de Juventude, Esporte e Lazer, Saúde, Defesa Civil e Meio Ambiente, em razão do alerta epidemiológico relacionado à baixa qualidade do ar.
A expectativa é que o prefeito Mateus avalie a situação e adote novas medidas de proteção, principalmente em relação às aulas da rede municipal de ensino, diante da persistência da fumaça e dos registros de poluição atmosférica.
Agora que os principais festejos terminaram, espera-se que a administração municipal avalie o cenário com a mesma atenção dedicada à programação comemorativa. Afinal, os sinais de alerta não podem ser ignorados, nem mesmo quando a cidade está em festa.

MUNICÍPIOS DO BAIXO AMAZONAS TAMBÉM REGISTRAM POLUIÇÃO E FOCOS DE CALOR
A situação não se restringe a Parintins. Dados do sistema SELVA divulgados em 17 de outubro apontaram concentrações muito elevadas de PM2,5 em municípios do interior do Amazonas.
Boa Vista do Ramos registrou 226,9 microgramas por metro cúbico, enquanto Maués chegou a 724,7 microgramas por metro cúbico. Urucurituba apresentou 731,1 microgramas por metro cúbico. São medições pontuais divulgadas para a manhã de sábado e não devem ser interpretadas como médias diárias ou municipais.
Os valores reforçam a dimensão regional do problema e a importância de acompanhar a qualidade do ar também fora da capital. No entanto, cada medição precisa ser interpretada considerando o horário, a localização da estação e os critérios de classificação utilizados pelo sistema.
No monitoramento de focos de calor, registros do INPE referentes a 12 de outubro identificaram 13 focos em Parintins, 14 em Nhamundá e 24 em Boa Vista do Ramos. Os números correspondem a um único dia e não representam o acumulado mensal.
Em outro recorte, um boletim do Ministério Público de Contas do Amazonas, com dados do INPE, apontou 58 focos em Maués, 55 em Boa Vista do Ramos e 39 em Urucurituba entre 1º e 15 de outubro.
Os levantamentos demonstram a importância de analisar os dados por município e por período. Focos de calor detectados por satélite são indícios de fontes de calor e não correspondem necessariamente a incêndios florestais confirmados. Além disso, diferentes sistemas podem registrar eventos, focos e áreas atingidas de maneiras distintas.

MANAUS ENFRENTA CONSEQUÊNCIAS DA FUMAÇA
Na capital amazonense, a poluição atmosférica também provocou preocupação com a saúde pública. A NASA destacou a situação de Manaus no contexto do aumento da fumaça na Amazônia.
Segundo dados meteorológicos citados pela agência, a capital registrou apenas 2,6 milímetros de chuva em agosto de 2026, volume aproximadamente 95% inferior à média climatológica do mês. Em setembro, a precipitação também ficou abaixo do normal.
A estiagem contribui para reduzir a umidade da vegetação e criar condições favoráveis à propagação do fogo. Quando queimadas utilizadas na limpeza de terrenos ou no manejo de pastagens escapam do controle, podem avançar sobre áreas florestais e ampliar a emissão de fumaça.
Em 17 de outubro, a plataforma internacional IQAir chegou a registrar índice de qualidade do ar de 441 pontos em Manaus, classificado como perigoso. Esse indicador é calculado segundo a metodologia da plataforma e não deve ser confundido diretamente com a concentração de PM2,5 expressa em microgramas por metro cúbico.
A situação da capital serve como alerta para o restante do estado, mas os dados de Manaus não podem ser automaticamente atribuídos a Parintins. A avaliação de cada município depende de medições locais e de séries meteorológicas próprias.

NASA ALERTA PARA RISCO DE INCÊNDIOS PROLONGADOS
O cientista Douglas Morton, do Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA, relaciona o aumento dos incêndios próximo a Manaus e Santarém a um padrão de queimadas tropicais associado à seca.
O comportamento já havia sido observado durante o El Niño de 2015–2016 e voltou a aparecer em 2023, quando a Amazônia enfrentou uma seca histórica, com redução dos níveis dos rios e isolamento de comunidades.
A NASA também identifica semelhanças com o cenário de seca, fogo e fumaça registrado na Indonésia. A combinação desses fenômenos em regiões tropicais diferentes reforça a preocupação dos cientistas com a interação entre condições climáticas desfavoráveis e atividades humanas.
A agência projeta que os incêndios nas proximidades de Manaus e Santarém possam persistir até a chegada da estação chuvosa, esperada para dezembro de 2026 ou janeiro de 2027. Para novembro e dezembro, o alerta se estende a Roraima, ao norte do Pará, ao Amapá e a países vizinhos, como Venezuela, Guiana e Suriname.
As projeções representam cenários de risco, não uma garantia de que todos os locais mencionados enfrentarão incêndios de grande intensidade.

A MAIORIA DOS INCÊNDIOS TEM ORIGEM HUMANA
Outro ponto destacado pela NASA é que os incêndios na Amazônia raramente começam de forma natural. A maior parte tem origem humana, incluindo queimadas para limpeza de terrenos, manejo de pastagens e práticas associadas ao desmatamento.
Em períodos de estiagem, o fogo utilizado nessas atividades pode escapar do controle e alcançar áreas de floresta. A repetição de incêndios também compromete a recuperação dos ecossistemas, afeta a fauna e a vegetação e pode ampliar os danos ambientais ao longo dos anos.
Por isso, além do combate às chamas, a prevenção, a fiscalização e a investigação de possíveis crimes ambientais são medidas fundamentais.
ALERTA EXIGE ATENÇÃO DAS AUTORIDADES NO BAIXO AMAZONAS
Para Parintins e os municípios vizinhos, os dados reforçam a necessidade de integrar o monitoramento de focos de calor, as informações meteorológicas e as medições de qualidade do ar. A divulgação de alertas compreensíveis para a população também é essencial para orientar os cuidados em períodos de poluição elevada.
A situação exige atenção dos órgãos ambientais, da Defesa Civil e dos serviços de saúde, especialmente diante da possibilidade de continuidade da estiagem e dos incêndios nos próximos meses.
O alerta da NASA oferece o contexto científico de uma crise que pode se prolongar. Os registros locais acrescentam uma dimensão concreta ao problema: Parintins apresentou medições de qualidade do ar classificadas como péssimas, enquanto municípios do Baixo Amazonas registraram focos de calor e concentrações elevadas de partículas finas.
O desafio agora é transformar os dados em prevenção, fiscalização e proteção da população. Em uma região onde rios, florestas e comunidades estão profundamente conectados, a fumaça é mais do que um sinal de queimadas: é um alerta sobre os impactos ambientais e sanitários que podem ultrapassar os limites das áreas atingidas pelo fogo.
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Fotos: Keynes Breves (Parintins) | Roger Matos (Manaus)
Fontes: NASA Earth Observatory; Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE); sistema SELVA, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA); Ministério Público de Contas do Amazonas; Instituto Nacional de Meteorologia (INMET); IQAir.

