Estiagem dificulta acesso de eleitores às urnas em Parintins, mas TRE-AM prevê manter locais de votação
Material produzido pela Agência Breves de Comunicação. Reprodução permitida mediante citação da fonte.
Com 16.329 eleitores ausentes no primeiro turno, município enfrenta o desafio de garantir o acesso às comunidades rurais diante da descida dos rios. Agricultores relatam riscos na travessia do Paraná do Ramos.
A descida do nível dos rios no Amazonas deve tornar mais difícil o deslocamento de eleitores das comunidades rurais de Parintins para o segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro. Com a redução das áreas navegáveis, moradores precisam adaptar os trajetos para chegar aos locais de votação, enquanto a Justiça Eleitoral prepara mudanças na logística de transporte das urnas eletrônicas.
No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Parintins registrou 16.329 eleitores ausentes, o equivalente a 22,36% do eleitorado apto a votar, segundo dados da totalização eleitoral atribuídos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Dos 73.020 eleitores registrados no município, pouco mais de 56 mil compareceram às urnas. A preocupação é que as dificuldades de acesso às comunidades rurais se agravem com a continuidade da estiagem.

Travessia do Paraná do Ramos preocupa moradores
Na região do Zé Açu, o agricultor Ronei Marialva, que vota na comunidade do Bom Socorro, relata que a descida do rio torna a travessia do Paraná do Ramos mais perigosa. Segundo ele, a redução do nível das águas provoca condições que dificultam a navegação, exigindo cuidados adicionais dos moradores que precisam se deslocar de canoa.
De acordo com o agricultor, há registros de embarcações que afundaram durante a travessia. O fenômeno conhecido como rebojo, associado às condições da correnteza e à configuração do leito do rio, aumenta a preocupação de quem depende do transporte fluvial para realizar atividades cotidianas, inclusive chegar ao local de votação.
“Já no primeiro turno o rio já estava muito baixo. Agora, além de baixo, está perigoso atravessar no “Ramos”, por conta do rebojo. Algumas canoas já foram pro fundo por conta disso”, afirmou Ronei.
Mesmo diante dos riscos e das dificuldades, os moradores da comunidade pretendem participar do segundo turno. Conforme o relato de Ronei, os eleitores estão dispostos a caminhar pelas margens do rio e puxar as canoas por trechos em que a navegação se torna difícil.
“Além do nosso direito de votar, temos a oportunidade de escolher o que será o melhor para o Brasil e para o Amazonas, por isso, que muitos vão percorrer muitos quilômetros a pé pra votar”, completou o agricultor.
A situação evidencia os obstáculos enfrentados por quem vive nas áreas rurais do município para exercer o direito ao voto. Em algumas localidades, a participação eleitoral depende não apenas da distância até a seção, mas também das condições dos rios e da possibilidade de realizar a travessia com segurança.

TRE-AM prevê mudanças nos meios de transporte
Em entrevista à Agência Breves de Comunicação, o assessor de gestão da eleição do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), Marcelo Sussuarana, afirmou que a previsão de uma estiagem menos severa do que a registrada em 2024 se confirmou. Segundo ele, o primeiro turno ocorreu relativamente tranquilo em relação à logística de transporte entre a sede municipal e as comunidades rurais.
Entretanto, os 21 dias entre os dois turnos devem exigir novas adaptações. A estratégia da Justiça Eleitoral é substituir os meios de transporte conforme as condições de acesso a cada localidade.
Trechos percorridos de barco poderão exigir o uso de voadeiras, enquanto trajetos feitos de voadeira poderão ser realizados de rabeta. Também poderão ser utilizados triciclos, quadriciclos, veículos motorizados ou deslocamentos a pé, dependendo das condições encontradas.
“A nossa expectativa é que nenhum local de votação deixe de funcionar por conta da estiagem”, afirmou Sussuarana.
Segundo o assessor, a previsão é manter os mesmos locais de votação utilizados no primeiro turno. Em situações excepcionais, caso alguma estrutura não apresente condições adequadas de funcionamento, poderá ser necessária uma mudança provisória de endereço dentro da própria comunidade.
Calor e baixa umidade também preocupam
Além dos obstáculos provocados pela descida dos rios, o calor intenso e a baixa umidade do ar representam desafios para o dia da votação. Sussuarana destacou a ocorrência de focos de incêndio e as temperaturas elevadas como fatores que podem comprometer o conforto térmico dos eleitores.
A avaliação do TRE-AM é que as condições climáticas exigirão atenção, mas não devem impedir o transporte das urnas até os locais de votação.
Direito ao voto em meio à estiagem
A experiência dos moradores do Bom Socorro, na região do Zé Açu, mostra que o exercício da cidadania no interior do Amazonas pode exigir esforço adicional durante o período de estiagem. Caminhar pelas margens, puxar canoas e enfrentar trajetos mais difíceis são alternativas relatadas por eleitores que não pretendem deixar de votar.
Com o nível dos rios em queda, a expectativa para o segundo turno é de uma operação que dependerá da adaptação dos meios de transporte e das condições de acesso a cada comunidade. O desafio será garantir que as urnas cheguem aos locais de votação e que os eleitores consigam exercer seu direito com segurança.
Fotos: Keynes Breves (Agência Breves) | Arquivo Pessoal

