Parintins registra cinco vezes mais focos de calor nos primeiros dias de novembro em comparação a 2025
Município lidera registros no Amazonas, com 15 focos detectados pelo INPE entre os dias 1º e 5 de novembro. No mesmo período do ano passado, foram apenas três. Fumaça intensa levou à suspensão de aulas e atividades esportivas
Parintins registrou cinco vezes mais focos de calor nos cinco primeiros dias de novembro de 2026 em comparação ao mesmo período do ano passado. Os dados são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), por meio do Programa BDQueimadas, e reforçam o cenário de pressão ambiental enfrentado pelo município, que há pelo menos 20 dias convive com fumaça intensa e episódios de qualidade do ar insalubre.
De acordo com os dados disponíveis no sistema do INPE, entre 1º e 5 de novembro deste ano, Parintins contabilizou 15 focos de calor. No mesmo intervalo de 2025, haviam sido registrados apenas três.
O aumento representa uma elevação de 400% no número de registros. O município também aparece na liderança entre as cidades amazonenses com maior quantidade de focos de calor no período analisado.
Os dados foram consultados no boletim BDQueimadas, plataforma do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais que monitora ocorrências de fogo por meio de imagens de satélite.

Parintins concentra maior número de registros no Amazonas
O INPE aponta que o Amazonas contabilizou 105 focos de calor entre os dias 1º e 5 de novembro de 2026. Parintins, com 15 registros, representa 14,3% do total identificado no estado.
Na sequência aparecem Maués, com 11 focos; Itacoatiara, com nove; Urucurituba, com oito; Barreirinha e Nhamundá, com sete cada.
A comparação com o mesmo período de 2025 também mostra crescimento no total de registros estaduais. Naquele ano, o Amazonas contabilizou 78 focos de calor nos cinco primeiros dias de novembro.

O aumento foi de aproximadamente 34,6% em relação ao ano passado
Em novembro de 2025, Parintins havia registrado três focos de calor, ficando atrás de municípios como Nhamundá, que contabilizou 15 ocorrências, e Itacoatiara, com oito.
Agora, o cenário é diferente: Parintins aparece na primeira posição do ranking estadual.
Fumaça e qualidade do ar preocupam a população
A presença de fumaça na atmosfera está associada à emissão de material particulado fino, como o PM2,5, que pode penetrar profundamente no sistema respiratório e provocar efeitos à saúde.
Crianças, idosos, pessoas com doenças respiratórias e indivíduos com problemas cardiovasculares estão entre os grupos mais vulneráveis à exposição.
Os registros do INPE ajudam a dimensionar a presença de ocorrências de fogo no território amazonense e oferecem um importante indicador para o monitoramento ambiental. No entanto, os focos de calor não representam necessariamente incêndios individualmente confirmados, nem permitem determinar, isoladamente, a origem de toda a fumaça que atinge a cidade.
A combinação entre queimadas, estiagem, condições atmosféricas e transporte de fumaça pode contribuir para a deterioração da qualidade do ar.
Qualidade do ar leva à suspensão de aulas e atividades esportivas
A situação da qualidade do ar em Parintins levou o poder público a adotar medidas preventivas. Com base na avaliação apresentada em nota técnica da Coordenação-Geral da Defesa Civil da Prefeitura de Parintins, as aulas da rede municipal de ensino foram suspensas até sexta-feira (6), em razão dos riscos provocados pela fumaça.
A Coordenadoria Regional de Educação também suspendeu as aulas em todas as unidades da rede estadual de ensino no município.
Além das atividades escolares, todas as atividades esportivas organizadas pela Prefeitura de Parintins estão suspensas. As medidas buscam reduzir a exposição da população à fumaça, especialmente de crianças, adolescentes e pessoas mais vulneráveis aos efeitos da poluição atmosférica.
Nesse cenário, o monitoramento dos focos de calor realizado pelo INPE, aliado à avaliação da qualidade do ar e às recomendações da Defesa Civil, torna-se fundamental para orientar as ações de prevenção e proteção da população.
Em Parintins, o desafio é enfrentar não apenas o avanço dos focos de calor, mas também os efeitos da fumaça sobre a população, especialmente crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias e cardiovasculares.

