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Parintins enfrenta semanas de fumaça, registra qualidade do ar péssima e suspende aulas

Dados do QualiAR-UFAM apontaram concentração de 379 µg/m³ de partículas PM2,5 durante a madrugada desta terça-feira (3). Aplicativo Selva, da UEA, também registrou níveis extremamente elevados de poluição atmosférica no município

Por Agência Breves 

A fumaça que encobre Parintins há semanas voltou a provocar impactos diretos na rotina da população. Diante da piora da qualidade do ar, a Prefeitura de Parintins anunciou, no final da noite desta segunda-feira (02/11), a suspensão das aulas do turno matutino da rede municipal de ensino nesta terça-feira (03/11).

A decisão foi comunicada pela Secretaria Municipal de Educação (Semed), que justificou a medida pelos riscos à saúde de estudantes, professores e demais integrantes da comunidade escolar, especialmente em relação ao desenvolvimento de problemas respiratórios.

O cenário de preocupação é reforçado pelos dados de monitoramento da qualidade do ar registrados durante a madrugada. Informações do QualiAR-UFAM, plataforma da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), e do aplicativo Selva, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), apontam concentrações extremamente elevadas de partículas finas em suspensão na atmosfera de Parintins.

Os registros evidenciam a persistência da crise ambiental no município, que enfrenta episódios recorrentes de fumaça intensa durante o período de estiagem.

QualiAR-UFAM aponta 379 µg/m³ de PM2,5

De acordo com os dados disponibilizados pelo QualiAR-UFAM, atualizados às 1h13 desta terça-feira (3), Parintins registrava concentração de 379 microgramas por metro cúbico (µg/m³) de partículas finas PM2,5.

O índice foi classificado como “5 — Péssima”, a pior categoria de qualidade do ar apresentada pela plataforma.

O monitoramento considera a mediana de três estações de medição às 1h. O sistema também indicava tendência de elevação da concentração de poluentes, com aumento de 24,7 µg/m³ por hora na média das últimas três horas.

A média das últimas 24 horas chegou a 301 µg/m³, também classificada como péssima.

A previsão disponibilizada pelo sistema apontava a continuidade dos níveis críticos nas horas seguintes, com estimativa de 391 µg/m³ às 2h e 397 µg/m³ às 4h.

Aplicativo Selva também registra poluição elevada

Os dados do aplicativo Selva, desenvolvido no âmbito da Universidade do Estado do Amazonas, também demonstravam a gravidade da situação atmosférica em Parintins durante a madrugada.

No mapa de monitoramento, o município aparecia com concentração de 237,3 µg/m³ de PM2,5. Na região de Vila Amazônia, o indicador alcançava 344,5 µg/m³.

Os valores aparecem na faixa de classificação “Péssimo” apresentada pelo aplicativo, reforçando o cenário de poluição atmosférica elevada que atinge diferentes áreas do município.

As partículas PM2,5 são extremamente pequenas e podem penetrar profundamente no sistema respiratório. A exposição à fumaça pode provocar irritação nos olhos e nas vias respiratórias, tosse, dificuldade para respirar e agravar doenças preexistentes.

Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares estão entre os grupos mais vulneráveis aos efeitos da poluição.

Suspensão das aulas abrange toda a rede municipal

Na nota oficial, a Secretaria Municipal de Educação informou que a suspensão das aulas do turno matutino abrange todas as escolas da rede municipal, incluindo unidades da zona urbana, zona rural, áreas de terra firme e comunidades de várzea.

A medida busca preservar a saúde de estudantes, professores e demais profissionais da educação diante dos riscos provocados pela exposição à fumaça.

Em relação ao turno vespertino, a situação atmosférica continuará sendo avaliada ao longo da manhã.

Um novo posicionamento oficial deverá ser divulgado até as 10h desta terça-feira, informando se as aulas da tarde serão mantidas ou suspensas.

A Semed orientou pais e responsáveis a manterem as crianças em ambientes arejados, garantirem a hidratação adequada e evitarem a exposição direta à fumaça.

Crise ambiental se prolonga em Parintins

A situação registrada nesta terça-feira reforça a preocupação com a persistência da fumaça em Parintins. Nas últimas semanas, o município tem enfrentado episódios de deterioração da qualidade do ar, com impactos na saúde pública e na rotina dos moradores.

O monitoramento realizado por diferentes plataformas tem permitido acompanhar a evolução dos índices de poluição atmosférica, revelando a gravidade dos episódios registrados durante a estiagem.

A suspensão das aulas representa mais um reflexo da crise ambiental enfrentada pela população, especialmente pelas crianças, que estão entre os grupos mais vulneráveis à exposição à fumaça.

Com a qualidade do ar permanecendo em níveis críticos durante a madrugada, a expectativa é de que as condições atmosféricas continuem sendo monitoradas pelas autoridades e instituições responsáveis.

A decisão sobre o funcionamento das escolas no turno da tarde será divulgada pela Prefeitura até as 10h desta terça-feira.

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