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Trânsito violento: Parintins registra 703 ocorrências de acidentes em dez meses; falta de educação e mortes acendem alerta

Por Agência Breves

O trânsito de Parintins apresenta números preocupantes e exige medidas mais efetivas de fiscalização, educação e conscientização. Entre 1º de janeiro e 31 de outubro de 2026, a Central de Resgate do município registrou 703 ocorrências de acidentes de trânsito, uma média de aproximadamente 70 registros por mês, ou mais de duas ocorrências por dia.

Somente em outubro, foram contabilizadas 79 ocorrências. Os números evidenciam a dimensão do problema e reforçam a necessidade de ações permanentes para reduzir os acidentes nas ruas da cidade.

Além dos feridos, o município também contabiliza vítimas fatais. Entre os casos registrados neste ano estão duas mortes provocadas por colisões entre motocicletas na Vila Amazônia, em janeiro; outras duas mortes em um acidente envolvendo duas motos, em setembro; e a morte de um passageiro de motocicleta por aplicativo, em outubro. Esses episódios somam pelo menos cinco vítimas fatais nos casos identificados.

 

HORÁRIOS DE PICO E FALTA DE CONSCIÊNCIA

A preocupação com o trânsito faz parte da rotina de quem precisa circular diariamente pelas ruas de Parintins. A estudante universitária Marcia Vieira relata que os horários de saída das escolas e universidades são especialmente complicados, devido à falta de atenção e de consciência de parte dos condutores.

“Nos horários de saída das escolas e das universidades, o trânsito fica uma loucura. As pessoas não têm consciência e não prestam atenção. Mesmo andando de bicicleta, já fui vítima de pessoas que não têm cuidado no trânsito. Já fui derrubada duas vezes”, relata.

A estudante conta que precisou mudar a própria rotina para tentar evitar situações de risco. Ao sair da universidade, costuma esperar entre 10 e 20 minutos antes de iniciar o trajeto para casa, justamente para evitar o movimento mais intenso e circular com mais tranquilidade.

COMERCIANTE TAMBÉM FOI VÍTIMA DE ACIDENTE

A insegurança também é relatada pelo comerciante Francisco Gomes, que já sofreu um acidente de motocicleta provocado por terceiros. Ele seguia para o trabalho quando dois homens, que também estavam em uma moto, atingiram a traseira do veículo que conduzia.

Apesar de não ter sofrido ferimentos graves, Francisco ficou machucado e passou a conviver com a preocupação de circular pelas ruas da cidade.

“Eu estava indo trabalhar de moto quando dois rapazes vieram e bateram na traseira da minha motocicleta. Eles não estavam prestando atenção. Graças a Deus, não foi algo grave, mas acabei ficando ferido”, relata.

O comerciante afirma que não percebe melhorias suficientes no comportamento dos condutores e considera preocupante a falta de respeito às regras básicas de circulação.

Mesmo utilizando capacete, luvas e mantendo os equipamentos de segurança, ele afirma que esses cuidados individuais não são suficientes quando outros condutores agem de maneira irresponsável.

Na avaliação do comerciante, uma parcela expressiva dos motociclistas circula sem habilitação e sem utilizar capacete. Ele estima que quase 90% dos motociclistas não possuem habilitação ou deixam de utilizar o equipamento de proteção, uma percepção pessoal que reforça a necessidade de dados oficiais sobre a situação.

OPERAÇÃO DE FISCALIZAÇÃO

Diante desse cenário, a Empresa Municipal de Trânsito e Transporte (EMTT) retomou, neste fim de semana, a operação Parintins+ Segura, em sua 48ª fase. A iniciativa reúne diferentes órgãos municipais e instituições parceiras com o objetivo de retirar veículos irregulares de circulação, intensificar a fiscalização e promover mais segurança nas vias.

De acordo com o relatório da operação, realizada nos dias 31 de outubro e 1º de novembro, foram abordados 106 veículos e removidos 12 para o parqueamento da EMTT por irregularidades.

A fiscalização também incluiu testes rápidos de bafômetro, ações relacionadas à prevenção da condução sob efeito de álcool e outras medidas de controle no trânsito.

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EDUCAÇÃO E RESPONSABILIDADE

Para além das operações pontuais, a realidade das ruas de Parintins aponta para um problema que envolve comportamento, responsabilidade e educação no trânsito.

O desrespeito à sinalização, a falta de uso do capacete, a circulação de veículos irregulares, a condução sem habilitação e a ausência de cuidados básicos em cruzamentos estão entre as situações que precisam ser enfrentadas.

A aquisição de uma motocicleta ou de outro veículo precisa vir acompanhada da responsabilidade de aprender as regras de circulação e respeitar a legislação. A formação de condutores, por meio das autoescolas, e as campanhas educativas são fundamentais para transformar essa realidade.

Os números registrados pela Central de Resgate não podem ser tratados apenas como estatísticas. Por trás de cada ocorrência existem pessoas feridas, famílias preocupadas e, nas situações mais graves, vidas perdidas.

Parintins precisa de um trânsito mais organizado, fiscalização permanente e, principalmente, de uma mudança de comportamento dos condutores. A segurança nas ruas é uma responsabilidade compartilhada entre o poder público e a população.

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