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Fiocruz alerta para riscos da fumaça das queimadas e recomenda medidas de proteção à saúde na Amazônia

Nota técnica destaca os efeitos da poluição atmosférica provocada por incêndios florestais e orienta a população a reduzir a exposição ao material particulado fino (PM2,5)

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgou uma nota técnica com recomendações para proteger a saúde da população diante do agravamento da poluição atmosférica provocado pelas queimadas e incêndios florestais na Amazônia. O documento foi publicado em meio ao aumento das concentrações de material particulado fino (PM2,5), que, em diferentes municípios da região, têm ultrapassado os valores recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

As orientações foram elaboradas por pesquisadores do Grupo de Trabalho Qualidade do Ar, vinculado ao Programa Saúde, Ambiente e Sustentabilidade (FioProsas), da Fiocruz. O material reúne medidas preventivas para residências, ambientes de trabalho, escolas, unidades de saúde e outros espaços de convivência.

Partículas podem atingir profundamente os pulmões

Segundo a Fiocruz, a fumaça produzida pelas queimadas contém gases e partículas que podem ser transportados pelo vento e atingir localidades distantes dos focos de incêndio.

Entre os poluentes, o material particulado fino PM2,5 é considerado uma das principais preocupações. Essas partículas possuem diâmetro igual ou inferior a 2,5 micrômetros, tamanho que permite sua penetração profunda no sistema respiratório.

A exposição à fumaça pode provocar irritação nos olhos, nariz e garganta, tosse, chiado no peito e dificuldade para respirar. Além disso, pode agravar doenças como asma e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), assim como problemas cardiovasculares.

A nota também destaca que a exposição à poluição atmosférica está associada a eventos graves, como infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC).

Fiocruz recomenda reduzir exposição à fumaça

Diante do cenário de poluição atmosférica, a instituição recomenda que a população adote medidas para diminuir o contato com a fumaça, principalmente durante os períodos em que a qualidade do ar estiver mais comprometida.

Entre as principais orientações estão:

  • Reduzir o tempo de exposição à fumaça;
  • Evitar atividades físicas ao ar livre nos períodos de pior qualidade do ar;
  • Permanecer, sempre que possível, em ambientes fechados com menor entrada de poluentes;
  • Acompanhar os indicadores e informes sobre a qualidade do ar;
  • Utilizar máscaras PFF2 ou N95 quando a exposição à fumaça for inevitável.

A Fiocruz também recomenda que escolas adaptem suas atividades de acordo com os níveis de poluição atmosférica. Exercícios físicos e eventos ao ar livre podem ser suspensos quando as condições ambientais representarem riscos à saúde.

Serviços de saúde devem se preparar para aumento da demanda

A nota técnica também chama atenção para a necessidade de preparação dos serviços de saúde diante da possibilidade de aumento dos atendimentos relacionados à exposição à fumaça.

O documento destaca a importância de medidas de proteção em ambientes internos e de ações coordenadas entre instituições de ensino, unidades de saúde e gestores públicos.

A preocupação é que a poluição atmosférica agrave vulnerabilidades e desigualdades socioambientais e sanitárias já existentes na região amazônica.

A Fiocruz reforça que as medidas de proteção devem ser acompanhadas de ações de curto, médio e longo prazo para enfrentar os impactos das queimadas sobre a saúde pública.

Fonte: Fiocruz Amazônia / Agência Fiocruz de Notícias.

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