Fumaça volta a tomar conta de Parintins após dia de céu azul
Monitoramento do aplicativo Selva registra poluição do ar em nível péssimo na noite desta quinta-feira (22); queimadas na zona rural aumentam a preocupação com a saúde da população.
Depois de quase 15 dias convivendo com um céu encoberto pela fumaça, os moradores de Parintins voltaram a ver o azul do céu nesta quinta-feira (22). A melhora durante o dia, no entanto, não durou como a população esperava. À noite, a fumaça voltou a se espalhar pela cidade, acompanhada de índices preocupantes de poluição atmosférica.
De acordo com o monitoramento do aplicativo Selva, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), os pontos de acompanhamento da qualidade do ar em Parintins indicaram condições classificadas como péssimas na noite desta quinta-feira (22). Entre os locais monitorados estão a área urbana do município, nas proximidades da comunidade do Maranhão, e a região da Vila Amazônia. Os registros reforçam o alerta sobre a poluição atmosférica e os riscos à saúde da população.
Em um dos pontos da área urbana, a concentração de partículas finas PM2.5 chegou a 335,3 microgramas por metro cúbico (µg/m³). Outro ponto apresentou 306,0 µg/m³, enquanto o monitoramento na região do Maranhão registrou 180,7 µg/m³. Os valores estão na faixa péssima da escala de poluição apresentada pelo aplicativo.
Os números mostram que a preocupação vai além da fumaça visível. Mesmo quando o céu parece mais limpo, a concentração de partículas poluentes pode continuar elevada, tornando necessário acompanhar os dados de qualidade do ar.
QUEIMADAS AUMENTAM A PREOCUPAÇÃO
O retorno da fumaça ocorre em meio aos relatos de incêndios e queimadas na zona rural de Parintins, especialmente na região da Vila Amazônia e em comunidades localizadas na região do Zé Açu. A fumaça produzida pelo fogo pode ser transportada pelo vento e alcançar diferentes áreas do município, afetando moradores mesmo longe dos locais onde as chamas estão concentradas.
A origem exata da fumaça que atingiu a cidade nesta quinta-feira precisa ser confirmada pelos órgãos ambientais. Ainda assim, a presença de poluentes nos pontos monitorados reforça a importância de acompanhar a situação e intensificar as ações de prevenção e combate às queimadas.
AR QUE PODE FAZER MAL À SAÚDE
As partículas PM2.5 são extremamente pequenas e conseguem penetrar profundamente nos pulmões. Quando presentes em concentrações elevadas, podem causar irritação nos olhos e na garganta, tosse e dificuldade para respirar, além de agravar doenças respiratórias e cardiovasculares.
Para dimensionar o problema, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que a média de concentração de PM2.5 não ultrapasse 15 µg/m³ em 24 horas. Os valores registrados pelo aplicativo Selva são muito superiores a essa referência. É importante, porém, considerar que os números apresentados correspondem a registros pontuais, e não necessariamente à média de um período completo de 24 horas.
Crianças, idosos e pessoas com asma, bronquite ou doenças cardíacas estão entre os grupos que exigem maior atenção. Durante períodos de fumaça intensa, a recomendação é reduzir a exposição, evitar atividades físicas ao ar livre e procurar atendimento médico diante de falta de ar, dor no peito ou agravamento dos sintomas.
O CÉU AZUL NÃO SIGNIFICA FIM DA POLUIÇÃO
O contraste entre o céu azul observado durante o dia e o retorno da fumaça à noite mostra como a situação pode mudar em poucas horas. Depois de quase duas semanas de desconforto, a população de Parintins voltou a enfrentar uma condição preocupante justamente quando começava a ter esperança de respirar um ar mais limpo.
O monitoramento da qualidade do ar, aliado à fiscalização ambiental e ao combate aos incêndios, é fundamental para compreender a dimensão do problema e orientar a população.
Enquanto as queimadas persistirem e a fumaça continuar alcançando a cidade, o alerta permanece: a aparência do céu nem sempre revela a qualidade do ar que a população está respirando.

