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Parintins está entre os 36 municípios em emergência por incêndios florestais; qualidade do ar preocupa

Fumaça elevou os níveis de poluição atmosférica na cidade, enquanto brigadistas do Ibama e equipes locais reforçam o combate às queimadas na Vila Amazônia.

Parintins está entre os 36 municípios do Amazonas incluídos no decreto de situação de emergência por incêndios florestais, publicado pelo governador Roberto Cidade no sábado (10) e reconhecido pelo Governo Federal poucas horas depois. A medida ocorre em meio ao avanço das queimadas, à presença de fumaça na região e à piora da qualidade do ar, que já atingiu nível péssimo na Ilha Tupinambarana.

De acordo com o monitoramento do aplicativo Selva, Parintins registrou índice de 141,5 na noite de sábado (10), classificação considerada péssima para a qualidade do ar. Na sexta-feira (9), o município já havia apresentado níveis preocupantes de poluição atmosférica, com registros de 74,5 microgramas por metro cúbico, considerados ruins, e 46,5 µg/m³, classificados como moderados, conforme dados divulgados pelo sistema de vigilância ambiental.

A fumaça que atinge a cidade pode ter origem em queimadas registradas tanto no Amazonas quanto em áreas do Pará. A circulação dos ventos favorece o deslocamento da fumaça entre diferentes municípios, ampliando os impactos da poluição atmosférica mesmo em localidades distantes dos principais focos de incêndio.

A situação exige atenção especial de crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares. A exposição à fumaça pode provocar irritação nos olhos e na garganta, tosse e dificuldade para respirar, além de agravar problemas de saúde preexistentes.

BRIGADISTAS DO IBAMA REFORÇAM COMBATE NA VILA AMAZÔNIA

Diante do avanço dos incêndios em áreas de vegetação, a Prefeitura de Parintins mobilizou equipes municipais e solicitou reforço federal para ampliar as operações de combate ao fogo.

Na sexta-feira (9), dez brigadistas do Programa de Prevenção e Controle de Incêndios Florestais do Ibama (Prevfogo), enviados de Manaus, chegaram a Parintins para atuar na Gleba de Vila Amazônia, especialmente em áreas próximas às comunidades e residências.

A equipe foi mobilizada após solicitação da Prefeitura e passou a reforçar o trabalho realizado pelo 19º Grupamento de Bombeiros Militar, pela Defesa Civil Municipal, por comunitários e voluntários.

Em uma das ocorrências na região, as equipes identificaram aproximadamente 20 focos de incêndio, com uma área atingida estimada em cerca de oito mil metros quadrados. Os trabalhos incluíram combate direto às chamas, abertura de aceiros e ações de rescaldo para evitar que o fogo voltasse a se espalhar.

Além do reforço federal, a Prefeitura disponibilizou dez brigadistas municipais para atuar junto ao Corpo de Bombeiros. Esses profissionais ficarão à disposição da corporação pelo período de três meses, com atuação nas ações de prevenção e combate às queimadas, especialmente na região do Quebra e do Quebrinha, na Vila Amazônia.

O município também capacitou servidores para apoiar as ações de prevenção e primeiro combate aos incêndios florestais.

DECRETO ABRANGE OUTROS MUNICÍPIOS DO BAIXO AMAZONAS

Além de Parintins, o decreto estadual de emergência contempla Barreirinha, Boa Vista do Ramos, Maués e Urucurituba, municípios do Baixo Amazonas que também integram a relação das 36 cidades abrangidas pela medida.

A lista inclui ainda municípios das regiões Metropolitana de Manaus, sul do estado e calhas de diferentes rios, entre eles Manaus, Itacoatiara, Manacapuru, Apuí, Boca do Acre, Humaitá, Lábrea, Manicoré, Borba, Coari e Tefé.

O reconhecimento federal permite que o Governo do Amazonas solicite recursos da União para ações de enfrentamento aos incêndios e assistência à população afetada. A medida também facilita a articulação entre órgãos estaduais e federais para reforçar as equipes, os equipamentos e a estrutura de atendimento.

É importante destacar que a inclusão no decreto não significa, automaticamente, que cada município já recebeu recursos financeiros específicos. A liberação depende dos procedimentos e planos de trabalho apresentados pelos órgãos responsáveis.

GOVERNO FEDERAL MOBILIZA BRIGADISTAS E AERONAVES

Para reforçar o combate aos incêndios no Amazonas, o Governo Federal anunciou a mobilização de 290 brigadistas federais e de oito aeronaves inicialmente previstas para as operações, incluindo dois aviões KC-390 da Força Aérea Brasileira, quatro aviões Air Tractor e dois helicópteros.

A Agência Brasil informou posteriormente que a mobilização total chegou a 11 aeronaves. Os aviões KC-390 têm capacidade para transportar água e auxiliar no combate aos incêndios em áreas de difícil acesso.

O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, esteve em Manaus no sábado (10) e se reuniu com o governador Roberto Cidade e representantes do Governo Federal para alinhar as ações emergenciais.

No âmbito do projeto ProAmazon, o Governo Federal informou que disponibilizou R$ 45 milhões desde 2024 para equipar o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas. Desse montante, R$ 34,7 milhões já haviam sido recebidos pelo estado, segundo o ministério, com outros R$ 10 milhões disponíveis para aquisição de viaturas, equipamentos de segurança e estruturação de bases operacionais.

QUEIMADAS AUMENTAM NO AMAZONAS

Os números do monitoramento ambiental reforçam a dimensão do problema. Segundo o boletim de monitoramento ambiental do Ministério Público de Contas do Amazonas, o estado registrou 644 focos de calor entre 1º e 7 de outubro de 2026, contra 277 no mesmo período de 2025, aumento de 132,5%.

No acumulado de janeiro até 7 de outubro, foram 6.901 focos de calor em 2026, ante 3.559 no período equivalente do ano anterior, crescimento de 93,9%, de acordo com a série do satélite de referência AQUA_M-T disponibilizada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Os focos de calor detectados por satélite não correspondem necessariamente ao número de incêndios distintos, mas ajudam a dimensionar a pressão sobre a vegetação e a necessidade de reforço das ações de prevenção e combate.

Em Parintins, a combinação entre os incêndios na zona rural e a fumaça que circula pela região amplia a preocupação com a saúde da população. A resposta depende da atuação conjunta dos órgãos ambientais, bombeiros, brigadistas, Defesa Civil e comunidades.

ALERTA À POPULAÇÃO

Enquanto persistirem as condições de poluição atmosférica, a recomendação é reduzir atividades físicas ao ar livre, evitar a exposição prolongada à fumaça e acompanhar os boletins oficiais sobre a qualidade do ar.

A situação de emergência reconhecida para Parintins e outros municípios representa um instrumento para ampliar a resposta pública à crise. O desafio agora é transformar a mobilização de equipes e recursos em resultados concretos para conter os incêndios, proteger as comunidades e reduzir os impactos ambientais e sanitários provocados pelas queimadas.

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