Parintins respira fumaça: Selva exibe 680,2 µg/m³ de partículas finas; na Vila Amazônia, valor chega a 692,0
Leitura exibida pelo Selva coloca a poluição em patamar extremo; na Vila Amazônia, o valor chega a 692,0 µg/m³. Registros anteriores já apontavam piora da qualidade do ar em outubro, enquanto moradores convivem com a presença persistente de fumaça.
A fumaça voltou a colocar a qualidade do ar de Parintins em alerta. Um registro consultado no aplicativo Selva na madrugada deste sábado (24) mostra concentração de 680,2 microgramas por metro cúbico (µg/m³) de partículas finas PM2.5 em Parintins. Na Gleba de Vila Amazônia, o mapa apresenta um valor ainda maior: 692,0 µg/m³.
Os números chamam a atenção pela dimensão da poluição indicada na plataforma e reforçam a preocupação com a exposição da população à fumaça. Os valores exibidos pela plataforma estão muito acima da diretriz diária recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para esse tipo de poluente.
As partículas PM2.5 são extremamente pequenas e conseguem penetrar profundamente no sistema respiratório. A exposição pode agravar problemas respiratórios e cardiovasculares, com riscos maiores para crianças, idosos e pessoas que já apresentam doenças crônicas.
Piora já havia sido registrada durante outubro
O novo registro não aparece isoladamente. Ao longo de outubro, dados do Selva e informações divulgadas por veículos de comunicação já apontavam episódios preocupantes de poluição atmosférica em Parintins.
No dia 7 de outubro, a Folha de Parintins, baseada no monitoramento do Selva, publicou uma concentração de 162,7 µg/m³, após um registro de 137,4 µg/m³ na noite anterior. Em 10 de outubro, outro levantamento apontou nível classificado como péssimo na plataforma. Já em 13 de outubro, uma leitura de 243,9 µg/m³ foi divulgada como um alerta para a população.
Agora, à reportagem mostra 680,2 µg/m³ em Parintins e 692,0 µg/m³ na Vila Amazônia. Os valores representariam uma elevação assustadora em relação aos registros anteriores.
Valores muito acima da recomendação da OMS
A Organização Mundial da Saúde recomenda que a concentração média de PM2.5 não ultrapasse 15 µg/m³ em um período de 24 horas.
Em uma comparação numérica direta, o valor de 680,2 µg/m³ equivale a aproximadamente 45 vezes essa referência. Na Vila Amazônia, os 692,0 µg/m³ correspondem a cerca de 46 vezes o valor recomendado.
Onde estão as respostas para a população?
Diante dos valores apresentados pelo Selva e da recorrência de episódios de poluição ao longo do mês, a população precisa de informações claras sobre a qualidade do ar e os riscos à saúde.
É importante que os órgãos ambientais e de saúde informem se há monitoramento complementar, quais medidas estão sendo adotadas para acompanhar a situação e quais orientações devem ser seguidas durante os períodos de fumaça intensa.
Enquanto isso, recomenda-se reduzir atividades físicas ao ar livre durante os períodos de maior concentração de fumaça, evitar fontes adicionais de poluição e manter atenção especial a crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares. Em caso de falta de ar, dor no peito ou agravamento importante de sintomas, é necessário procurar atendimento de saúde.
A fumaça pode até variar de intensidade ao longo do dia, mas os registros sucessivos mostram que a qualidade do ar precisa ser tratada como uma questão de saúde pública. Parintins necessita de monitoramento transparente, informações acessíveis e respostas proporcionais à dimensão do problema.

