Super El Niño: estudo projeta 857 mil mortes adicionais no mundo; Amazônia está entre as regiões sob alerta
Previsão de calor extremo preocupa autoridades e pesquisadores. No Norte do Brasil, órgãos oficiais alertam para temperaturas acima da média, redução das chuvas e agravamento da estiagem nos próximos meses
Agência Breves de Comunicação
Uma projeção científica do Climate Impact Lab, ligado à Universidade de Chicago, estima que o calor extremo associado ao fenômeno El Niño poderá provocar aproximadamente 857,4 mil mortes adicionais em todo o mundo entre junho de 2026 e março de 2027. Os números fazem parte de um monitoramento atualizado em 27 de outubro, que acompanha os possíveis impactos do fenômeno sobre a mortalidade em diferentes regiões do planeta.
De acordo com o levantamento, 484,5 mil mortes adicionais são estimadas entre junho e setembro deste ano. Para o período de outubro de 2026 a março de 2027, a projeção aponta outras 372,9 mil mortes.
O Brasil também aparece entre os países que merecem atenção. O Climate Impact Lab estima aproximadamente 19 mil mortes adicionais relacionadas ao calor no território brasileiro nos próximos seis meses, até março de 2027.
AMAZÔNIA SOB ALERTA
Na Região Amazônica, a preocupação vai além das temperaturas elevadas. A combinação de calor intenso, redução das chuvas, estiagem dos rios e aumento do risco de incêndios pode ampliar os impactos ambientais, sociais e sobre a saúde da população.
O alerta também aparece no Boletim nº 5 do Painel El Niño, divulgado em 29 de outubro pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN) e outras instituições federais.
A previsão para novembro de 2026 a janeiro de 2027 indica maior probabilidade de chuvas abaixo da normalidade em grande parte da Região Norte. As temperaturas também devem permanecer acima da média em praticamente todo o país, com destaque para o Norte.
O boletim aponta ainda elevada probabilidade de intensificação do El Niño, com possibilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte a partir de novembro.
Para as populações amazônicas, o cenário representa preocupação com o abastecimento de água, a navegabilidade dos rios, a produção rural, a ocorrência de queimadas e a exposição prolongada ao calor.
CALOR EXTREMO E RISCOS À SAÚDE
As temperaturas elevadas representam riscos especialmente para idosos, crianças, pessoas com doenças crônicas e trabalhadores que permanecem expostos ao sol durante longos períodos.
A exposição ao calor excessivo pode provocar desidratação, exaustão térmica, agravamento de doenças cardiovasculares e outros problemas de saúde.
O Climate Impact Lab destaca a importância de medidas preventivas, como sistemas de alerta, ampliação do acesso aos serviços de saúde, pontos de hidratação e proteção aos trabalhadores expostos a temperaturas extremas.
COMO OS NÚMEROS FORAM CALCULADOS?
O levantamento utiliza modelos científicos que relacionam as temperaturas diárias aos índices de mortalidade, considerando características climáticas locais, vulnerabilidade das populações e capacidade de adaptação.
É importante esclarecer que os números representam estimativas de mortes adicionais em relação a uma referência histórica, e não uma contagem oficial de pessoas que tiveram suas mortes registradas como consequência direta do El Niño.
O monitoramento considera dados climáticos observados e previsões para os meses seguintes, com comparação em relação à média histórica de 1996 a 2025.
A pesquisa reforça a necessidade de preparação dos governos e das instituições de saúde diante dos possíveis efeitos do calor extremo.
Na Amazônia, onde as mudanças no regime de chuvas podem afetar diretamente comunidades, rios, florestas e atividades econômicas, o acompanhamento das condições climáticas será fundamental nos próximos meses.

