Vereadores de Parintins que defenderam bolsonarismo agora apoiam candidatura ligada à esquerda
Vereadores de Parintins que construíram sua atuação política associados ao bolsonarismo e à direita agora atravessam o segundo turno apoiando uma candidatura ao Governo do Amazonas ligada ao campo político do presidente Lula. A mudança abre um novo capítulo na política local e levanta questionamentos sobre a coerência entre o discurso defendido ao longo dos últimos anos e o posicionamento adotado na reta final da eleição.
Entre os parlamentares estão o presidente da Câmara Municipal de Parintins, Cabo Linhares, além dos vereadores Adson Príncipe e Fernando Menezes. Linhares e Adson são filiados ao PL, enquanto Fernando Menezes é do Republicanos.
O caso de Fernando Menezes ganhou ainda mais repercussão nesta semana. O vereador fez um discurso contundente em defesa de Flávio Bolsonaro e de posições associadas ao campo da direita. A manifestação repercutiu nas redes sociais e gerou questionamentos sobre seu posicionamento político.
Dias depois, porém, o parlamentar aparece em uma composição diferente para o segundo turno, declarando apoio a uma candidatura ao Governo do Amazonas vinculada ao campo político da esquerda e alinhada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A mudança de posicionamento é uma decisão política que cabe ao próprio parlamentar. O que passa a ser questionado é a distância entre o discurso apresentado anteriormente e a posição adotada agora.
O que mudou?
Essa é uma das principais perguntas que ficam para o eleitor.
A mudança representa uma revisão legítima de convicções políticas? Trata-se de uma nova composição para o segundo turno? Ou o cenário eleitoral produziu uma aproximação que não existia anteriormente?
O questionamento também alcança os eleitores que acompanharam a trajetória desses vereadores e votaram neles identificando-os com determinadas pautas e bandeiras políticas.
Quem defendeu essas posições ao lado dos parlamentares também tem o direito de saber quais foram as razões para a mudança.
VIAGEM A MANAUS TAMBÉM ENTRA NO DEBATE
Outro ponto que precisa ser esclarecido é a viagem de vereadores de Parintins a Manaus durante esta semana.
Informações de bastidores apontam que parlamentares do município teriam se deslocado para a capital em pelo menos duas aeronaves para participar de agendas políticas.
A informação ainda precisa ser oficialmente esclarecida.
Quem custeou os deslocamentos?
As viagens foram pagas pelos próprios vereadores, pelos partidos ou por algum grupo político? Houve utilização de recursos públicos? Foram concedidas passagens ou diárias pela Câmara Municipal?
São perguntas objetivas que podem ser respondidas por meio dos registros oficiais de despesas e pelas próprias autoridades envolvidas.
A Câmara Municipal possui registros públicos de concessão de passagens e diárias para vereadores em deslocamentos oficiais, o que permite verificar posteriormente a finalidade, o custo e a origem dos recursos utilizados em cada viagem.
COERÊNCIA POLÍTICA
A discussão, portanto, não está apenas no apoio declarado neste segundo turno.
Está também na relação entre discurso, posicionamento político e confiança do eleitor.
Um parlamentar pode mudar de opinião, rever alianças e apoiar outro candidato. Faz parte do processo democrático.
Mas quando a mudança acontece depois de uma trajetória pública marcada por determinadas bandeiras políticas, é natural que o eleitor queira compreender as razões dessa decisão.
No caso dos vereadores de Parintins, a pergunta que fica para o segundo turno é direta:
houve uma mudança de visão política ou uma mudança de estratégia eleitoral?
A resposta cabe aos próprios vereadores.
Ao eleitor, cabe acompanhar os posicionamentos, comparar o discurso com as decisões tomadas e tirar suas próprias conclusões sobre a atuação de quem recebeu seu voto.

