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Brena Dianná e o preço de abandonar a mudança

Há alianças que fortalecem um político. E há alianças que fazem o eleitor perguntar para onde foi o discurso de mudança.

 

Brena Dianná chegou a 2026 carregando algo que poucos políticos conseguem conquistar: a expectativa de milhares de eleitores de que ela poderia representar uma ruptura com a velha política de Parintins.

Foram 11.170 votos somente no município, uma votação que não pode ser tratada apenas como número de urna. Ali havia uma mensagem. Havia expectativa. Havia gente que acreditou que Brena poderia ser uma alternativa aos grupos políticos tradicionais e construir um novo caminho para a cidade.

Foi justamente essa imagem que ajudou a construir sua trajetória.

Brena se apresentou como oposição à administração municipal, criticou caminhos adotados pelo poder público e defendeu uma mudança de rumo. Para muitos parintinenses, ela passou a representar uma possibilidade concreta de renovação.

Mas política também é coerência. E é aí que começa o problema. Ao se aproximar politicamente do senador Omar Aziz, Brena dá um passo que pode parecer estratégico do ponto de vista eleitoral, mas que, para uma parcela de sua própria base, soa como uma contradição com a imagem que a projetou.

O eleitor que acreditou na mudança pode legitimamente perguntar: mudança de quê? E para onde?

Não há nada de errado em fazer alianças. Política é diálogo, composição e construção. Mas toda aliança tem significado. E quando um político constrói sua identidade justamente em oposição a determinados grupos e, posteriormente, se aproxima deles, precisa explicar ao eleitor o que mudou.

E essa explicação será ainda mais necessária quando olharmos para 2028. O senador Omar Aziz possui uma trajetória política construída no Amazonas e mantém relações com diferentes grupos e lideranças. Em Parintins, existe uma proximidade política histórica entre o grupo de Omar e setores ligados ao ex-prefeito Bi Garcia.

Diante disso, fica uma pergunta inevitável para quem acompanha a política parintinense: qual será o papel de Brena nessa composição quando chegar a próxima eleição municipal? Porque, se amanhã Brena estiver no mesmo palanque daqueles que seus eleitores acreditavam que ela havia escolhido enfrentar, o problema não será apenas eleitoral. Será de identidade política.

Brena tinha nas mãos a oportunidade de construir uma trajetória própria, independente dos grandes grupos. Poderia ter usado os 11.170 votos de Parintins como ponto de partida para consolidar uma liderança capaz de dialogar com diferentes setores sem perder sua identidade. Mas, ao se aproximar de uma estrutura política já estabelecida, corre o risco de trocar o papel de alternativa pelo de mais uma peça dentro do tabuleiro tradicional.

E talvez esse seja o maior erro estratégico de sua trajetória até aqui. Porque quem votou em Brena não votou apenas em uma candidatura. Votou em uma promessa de mudança. E promessa política não se sustenta apenas no discurso de campanha. Sustenta-se nas escolhas feitas depois da eleição. O eleitor observa. O eleitor compara. O eleitor lembra.

E aqueles 11.170 votos não pertencem a Brena. Pertencem aos parintinenses que confiaram nela. Por isso, a pergunta que fica não é se Brena tem o direito de mudar sua estratégia política. Evidentemente, tem. A pergunta é outra: ao mudar de rota, Brena ainda representa a mudança que levou milhares de parintinenses a acreditar nela?

Essa resposta não será dada em uma entrevista, em uma fotografia ou em um anúncio político. Será dada pelo tempo. E, principalmente, pelos próprios eleitores. Porque na política, alianças podem ser construídas em uma noite. Mas a confiança do eleitor, quando perdida, pode levar muito mais tempo para ser reconstruída.

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Editorial da Folha de Parintins

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